As exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos caíram 17,8% entre janeiro e setembro de 2026 ante o mesmo período de 2025, segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA da Amcham Brasil. Vendas para outros mercados, no mesmo intervalo, cresceram 8,9%.

Entre os dez principais produtos agropecuários sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas vendas aos EUA no acumulado do ano. A maior retração percentual foi da madeira de coníferas, com recuo de 50,6%.

Os granitos trabalhados tiveram queda de 34,1%. O sebo bovino recuou 33,4%. O fumo não manufaturado caiu 32,2% no mesmo levantamento.

No conjunto dos produtos agropecuários sobretaxados, as vendas aos EUA somaram US$ 4,1 bilhões entre janeiro e setembro, queda de 25,4% ante 2025 (cerca de US$ 1,4 bilhão a menos). Os itens sem tarifa adicional recuaram menos, 5,1%, no mesmo período.

Considerando todos os setores, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 27,5 bilhões entre janeiro e setembro, recuo de 6,5% em relação a 2025.

Em setembro isoladamente, as vendas totais cresceram 31,9% na comparação anual, para US$ 3,5 bilhões. O acumulado do ano, porém, segue negativo.

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A retração do agro está desacelerando?

Está desacelerando desde agosto. Entre janeiro e agosto, a queda do agro aos EUA chegava a 26,7% na comparação anual. Com setembro somado, o recuo caiu para 17,8%, ainda entre os mais afetados pelo tarifaço de até 37,5% imposto pelos EUA.

A participação do mercado americano no total exportado pelo Brasil caiu a 9,4% no primeiro semestre de 2026, a menor fatia para o período desde o início da série histórica da Amcham, em 1997.

Nem todo setor do agro perdeu espaço nos EUA. A exportação de carne bovina de Mato Grosso ao mercado americano subiu 50,4% em agosto, mostrando que o efeito das tarifas varia por produto.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) atribui parte do impacto a uma sobretaxa adicional de 12,5%, somada aos 25% já em vigor. A tarifa extra está ligada a uma investigação do governo americano sobre trabalho forçado na produção agropecuária brasileira.

Segundo a entidade, 33% das exportações do setor acumulam as duas tarifas, somando uma sobretaxa de 37,5%. Na prática, um terço dos produtores do setor paga hoje a soma das duas sobretaxas americanas aplicadas neste ano.

"A imposição de tarifas sobre produtos brasileiros não contribui para o combate ao trabalho forçado e acaba penalizando produtores que cumprem rigorosamente a legislação, geram empregos e produzem de forma responsável", afirmou a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, em nota.

O tarifaço também derrubou 16,8% da receita do calçado brasileiro exportado aos EUA, em outro setor atingido pela mesma rodada de sobretaxas.

O levantamento não detalha os valores totais por mercado alternativo.