O governo brasileiro espera receber dos Estados Unidos, em novembro, uma proposta formal sobre o tarifaço imposto por Donald Trump. O ministro Márcio Elias Rosa disse nesta quinta-feira (8) que os americanos prometeram enviar o texto em três a quatro semanas.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o prazo foi combinado na última reunião entre as equipes técnicas dos dois países. "O que nós pactuamos na última reunião foi exatamente isso. Eles encaminharão uma proposta", afirmou Elias Rosa ao SBT News.
O cronograma empurra a negociação para depois do 2º turno, em 25 de outubro.
A tarifa de 50% está em vigor desde julho de 2025. A camada extra de 37,5% foi anexada depois, sob justificativa de combate a trabalho forçado nas cadeias de fornecimento brasileiras.
Em setembro, o governo americano levou ao Brasil uma oferta para aliviar essa cobrança em troca de 21 exigências. Integrantes do governo Lula classificaram o pacote como inaceitável e o rejeitaram.
O ministro também afastou qualquer tentativa de ligar o resultado das urnas à mesa de comércio.
"Esse [processo eleitoral] não está na mesa de negociação. Nós estamos discutindo comércio exterior, só isso. É compra e venda de bens e serviços, ponto final. Quem quiser colocar a eleição na mesa não terá o Brasil como um dos negociadores."
O Brasil decidiu não fazer a primeira oferta nesta rodada. Para o governo, a tarifa nasceu de uma decisão unilateral dos EUA, e cabe a Washington apresentar o próximo movimento.
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A posição reforça que a disputa eleitoral não abre espaço de manobra: qualquer concessão antes do 2º turno seria lida como resposta à pressão de Trump sobre o resultado da eleição.
O tema já motivou reação no Congresso americano: senadores democratas, incluindo Bernie Sanders, assinaram carta acusando Trump de interferência no processo eleitoral brasileiro.
A rodada de novembro não é a primeira tentativa de destravar o impasse. Em outubro, Brasil e EUA já tinham criado um grupo de trabalho para negociar o tarifaço.
O país também buscou uma saída multilateral. Em setembro, o caso chegou à OMC, que deu um prazo de 60 dias às duas partes para negociar. O prazo corre em paralelo às tratativas diretas com Washington.
O que acontece agora
Os EUA têm até o início de novembro para formalizar a proposta, segundo o prazo citado pelo ministro.
A partir daí, o governo brasileiro deve reunir o grupo de trabalho para analisar o texto item por item. As tratativas efetivas só começam depois do 2º turno, em 25 de outubro.





























