O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou nesta terça-feira (20) no TSE e no STF um pedido para abrir os próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico, condicionado à mesma medida por Flávio Bolsonaro (PL). A campanha do senador rejeitou a proposta.

No pedido, Lula propõe divulgar dados dos últimos oito anos pela plataforma DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral. A medida inclui a primeira-dama Janja, os cinco filhos e os dois netos maiores de idade do presidente.

Do lado de Flávio, o pedido abrange o pai, Jair Bolsonaro, a mãe, Rogéria, os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, e a esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.

Lula e a primeira-dama Janja em cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral

O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, foi sorteado relator do pedido.

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"Desafio você: amanhã, abrimos nossas contas bancárias e nossos sigilos telefônicos, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão", disse Lula no debate da Band.

Lula fez o desafio no debate presidencial da TV Band, no domingo (18). O prazo que o presidente deu a Flávio para aderir à medida termina nesta quarta-feira (21).

Por que a campanha de Flávio rejeitou o pedido?

A campanha de Flávio rejeita abrir os sigilos porque considera a proposta uma armadilha eleitoral para desgastar o senador na reta final. Aliados orientam Flávio a resistir à pressão e cobram que Lula divulgue os gastos do cartão corporativo do governo federal.

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Especialistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que o desafio deve ter pouco efeito prático antes do 2º turno, no domingo (25). O prazo apertado e a resistência do adversário tornam improvável uma divulgação completa dos dados a tempo.

O DivulgaCandContas já reúne o patrimônio declarado dos candidatos à Presidência, prestação de contas de campanha e histórico eleitoral, com consulta pública gratuita desde 2004. O pedido de Lula propõe usar o mesmo portal para os dados bancários, fiscais e telefônicos.

O que acontece agora

O tema deve voltar à pauta no debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23). Até lá, a petição aguarda decisão do ministro André Mendonça sobre o pedido de publicidade dos dados.