O BNDES abriu nesta quinta-feira (17) o protocolo de habilitação ao Plano Brasil Soberano 3, que oferece R$ 22,6 bilhões em crédito a empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA e pelo conflito no Oriente Médio. As empresas confirmam a elegibilidade no site do banco.
Segundo o BNDES, o pacote reúne R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões de recursos próprios do banco. Os juros variam de 4,3% a 17,5% ao ano.
O crédito financia capital de giro, compra de máquinas e equipamentos e projetos de investimento.
Quem pode pedir o crédito?
Podem pedir o crédito três grupos de empresas. O primeiro reúne exportadoras para os Estados Unidos e seus fornecedores, com vendas equivalentes a pelo menos 1% do faturamento entre julho de 2024 e junho de 2025.
O segundo grupo abrange setores industriais estratégicos, como têxtil, químico, farmacêutico, automotivo e de máquinas e equipamentos. O terceiro cobre exportadoras para países do Golfo Pérsico, entre eles Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.
Essa é a terceira versão do programa, criado em meados de 2025 como resposta do governo às sobretaxas dos EUA. Em agosto, o governo já havia prorrogado por um ano o prazo de drawback para exportadores atingidos pela mesma tarifa.
Em março de 2026, o Brasil Soberano passou a cobrir também empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio.
O que a indústria cobra do governo
A indústria cobra rapidez na liberação do dinheiro, não apenas volume de crédito. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 48,7% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional.
Sem agilidade na entrega do crédito, os efeitos da tarifa comprometem caixa e investimento antes que o dinheiro chegue, alerta a entidade.
Robson Andrade, ex-presidente da CNI, chamou o programa de "paliativo". Segundo ele, a iniciativa reduz o custo financeiro das empresas, mas não resolve o problema estrutural da taxa de juros brasileira, uma das maiores do mundo.
Com a sobretaxa de 12,5% em vigor desde 24 de julho, 3.985 produtos brasileiros passaram a enfrentar tributação total de 37,5% nos Estados Unidos. É nesse grupo de exportadores, que já perdeu espaço nos EUA mesmo vendendo mais, que o BNDES busca habilitar empresas.
O que acontece agora
Depois de confirmar a elegibilidade no sistema do BNDES, a empresa segue para a contratação do crédito com bancos credenciados ou diretamente com o banco, conforme a linha escolhida. O BNDES não informou prazo final para adesão nem cronograma de liberação das primeiras parcelas.


























