A economia da Argentina cresceu 2% no segundo trimestre de 2026 e a inflação mensal caiu a 1,7%, menor nível desde junho de 2025. Mas a pobreza subiu a 32,3% da população, e o desemprego chegou a 7,9%, maior patamar desde 2021.

Os dados são do Indec, o instituto de estatística argentino. Eles entraram no primeiro debate presidencial do segundo turno, neste domingo (18), em São Paulo.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou Flávio Bolsonaro (PL) sobre a proximidade com o presidente argentino, Javier Milei. O petista quis saber se o adversário pretende repetir no Brasil a política econômica do argentino.

A coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, já havia citado o governo de Milei como inspiração para medidas de redução de impostos e de burocracia no Brasil.

O presidente argentino é aliado declarado do candidato do PL. Na semana passada, chamou Lula de "ditador comunista" e apostou na vitória de Flávio.

Por que a pobreza sobe com a economia em alta?

A pobreza sobe porque a renda das famílias argentinas cresceu menos que o custo das cestas básicas usadas para calcular a linha de pobreza, segundo o Indec. O instituto atribui o descompasso a esse fator, não à falta de crescimento da economia.

O Produto Interno Bruto (PIB) argentino avançou 2,3% no primeiro trimestre de 2026 e 2% no segundo, ambos ante o mesmo período do ano anterior, a segunda alta trimestral seguida.

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Descontados os efeitos sazonais, porém, o PIB do segundo trimestre caiu 0,6% em relação aos três meses anteriores. O consumo privado recuou 2,4%, o público caiu 2,3% e os investimentos, 0,8%.

Os setores ligados à exportação puxaram o crescimento. A pesca cresceu 44,7% no segundo trimestre, a mineração avançou 16,4% e a agropecuária, 6,9%, todos ante o trimestre anterior. A indústria de transformação recuou 2,1%, e o comércio varejista também perdeu força.

A pobreza atingiu 9,7 milhões de pessoas nos 31 aglomerados urbanos pesquisados pelo Indec, alta de 4,1 pontos percentuais ante o semestre anterior e a primeira alta do indicador em dois anos. Na projeção do instituto no país, o número chega a 15,5 milhões.

A pobreza infantil foi a 44,5%, e a indigência subiu a 7,5% da população.

O desemprego de 7,9% no segundo trimestre é o maior nível desde 2021, segundo dados do Indec compilados pelo Trading Economics. Cerca de 1,8 milhão de argentinos estavam sem trabalho no período, ante 7,6% um ano antes.

A inflação mais baixa não chegou ao bolso de quem vive do consumo interno. É nesse grupo que mais cresceu a pobreza argentina.

O cenário é parecido com o que motivou a perda de 32 mil empresas em quase três anos de governo Milei, a maioria delas voltada ao mercado interno e sem condição de competir com a abertura comercial do presidente argentino.

Os dois primeiros anos de Milei reduziram a inflação acumulada em 12 meses de quase 290% para cerca de 30%.

É esse resultado, e não os números de pobreza e desemprego, que a campanha de Flávio cita como inspiração.