O documentário "Lula", dirigido por Oliver Stone, está sendo remontado, segundo o produtor Maximilien Arveláiz. Exibido pela primeira vez no Festival de Cannes há dois anos, o filme ainda não estreou comercialmente, nem no Brasil nem no exterior, apesar do interesse de distribuidores.

Questionado sobre o motivo da nova edição e do adiamento da estreia, Arveláiz respondeu, por mensagem de texto, apenas que "é o nosso método".

O filme cobre da prisão do petista, em abril de 2018, na Lava Jato, até as eleições de 2022, quando derrotou Bolsonaro. Também aborda as origens nordestinas e sindicais de Lula e o impeachment de Dilma Rousseff, descrita em cena como sua protegida.

Depois de Cannes, o documentário foi exibido em outros festivais internacionais e despertou interesse de distribuidores, segundo Arveláiz. O processo de finalização, no entanto, demandou mais tempo do que o previsto, o que adiou as negociações para o lançamento comercial.

Por que o filme ainda não chegou ao Brasil

O documentário não emitiu o Registro de Obra Estrangeira junto à Ancine (Agência Nacional de Cinema), exigência para a comercialização de filmes internacionais no país. Segundo Arveláiz, a produção optou por só negociar os direitos no Brasil depois do fim do ciclo eleitoral.

O filme retrata o atual presidente da República.

A previsão inicial era estreia no Brasil no 2º semestre de 2024, segundo coluna de Lauro Jardim, no Globo. O colunista noticiou que o lançamento emperrou por dificuldade em liberar imagens do Palácio do Planalto, versão que Arveláiz nega.

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A polêmica em torno do financiamento do filme

O documentário é alvo de controvérsia desde outubro, quando a revista Veja divulgou um áudio em que o banqueiro Daniel Vorcaro diz ter pago R$ 30 milhões em espécie pela produção, segundo reportagem que a TV Sim Brasil já cobriu em detalhe.

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram que Vorcaro tenha prestado depoimento ou entregado documentos sobre o financiamento. A proposta de delação foi rejeitada. A equipe de Oliver Stone negou, afirmando que o diretor nunca pediu nem recebeu dinheiro de Vorcaro.

No áudio, Vorcaro compara o caso ao documentário sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), hoje candidato ao 2º turno. A campanha de Flávio já havia evitado detalhar as contas do documentário Dark Horse, sobre o senador.

Até a publicação desta matéria, não há denúncia, acusação formal ou procedimento instaurado sobre o suposto financiamento do documentário. A campanha de Lula apresentou cinco medidas jurídicas contra o áudio, incluindo ações no TSE e pedido de indenização contra a editora da Veja.

Enquanto o processo de remontagem segue sem prazo, a origem do dinheiro que bancou o documentário continua sendo discutida na Justiça e na política.

O caso corre em paralelo ao rombo do Banco Master, apontado como o maior da história do país. Arveláiz não deu prazo para a conclusão da remontagem nem para a estreia comercial do documentário no Brasil.