Mulheres que sofreram violência física ou sexual na infância têm risco 50% maior de desenvolver demência na velhice, segundo revisão sistemática de pesquisadoras brasileiras apresentada em julho na AAIC, em Londres. O risco quase dobra entre quem sofreu abuso físico ou sexual grave na infância.

O estudo juntou três pesquisas, com participação da neurologista Raquel Molina, professora da UFF, e da neurologista Sephora Almeida, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Molina também é doutora em neurologia pela FMUSP e pesquisadora do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino.

Ela passou a estudar o tema após ouvir relatos de violência de pacientes do ambulatório de demência do Hospital Universitário Antônio Pedro, ligado à UFF, que atende pela rede pública em Niterói. A associação foi mais forte na infância do que na vida adulta.

Os resultados sobre violência na idade adulta são menos conclusivos

Um dos estudos incluídos na revisão, feito na Austrália com 12.085 mulheres de 70 a 75 anos, não achou associação entre violência de parceiros íntimos e demência. O mesmo estudo observou mortalidade mais precoce entre as vítimas dessa violência.

Como essas mulheres morreram mais cedo, parte pode não ter vivido o suficiente para desenvolver a doença.

Apenas 6% das participantes relataram violência de parceiros. Essa proporção baixa, segundo a pesquisa, pode indicar subnotificação dos casos entre as entrevistadas.

Molina afirma que ainda não é possível estabelecer a violência como fator de risco independente para demência. A hipótese, segundo ela, carece de mais estudos, razão pela qual não aparece nas diretrizes médicas sobre fatores de risco da doença.

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A perda auditiva é outro fator que a TV Sim Brasil já mostrou associado ao risco de demência, ao lado da própria hipótese da violência, ainda em estudo.

A ciência ainda não consegue dizer se tratar a violência sofrida por uma mulher ajudaria a prevenir a demência dela mais tarde.

O que falta para a hipótese virar diretriz

A própria pesquisadora reconhece que a hipótese ainda não é fator de risco oficial, por falta de mais estudos. O trabalho segue sem publicação em revista científica desde a apresentação em pôster, em julho. Até lá, a relação continua sendo hipótese, não diagnóstico.