A campanha de reeleição do deputado federal Mario Frias (PL-SP) pagou R$ 80 mil à Estratégia Comunicações, empresa ligada a Jessika Helen dos Santos, ex-diretora da Cultura na gestão do próprio Frias. A empresa é alvo de busca da PF desde 10 de setembro.

A Estratégia Comunicações também recebeu R$ 115 mil direto da conta-corrente do deputado entre abril de 2025 e abril de 2026, segundo a PF, além de R$ 775 mil em cota parlamentar de Frias e outros deputados do PL que tentaram a reeleição.

A Polícia Federal descreveu, em documento da investigação, a existência de "sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades, empresas e pessoas físicas vinculadas ao núcleo investigado". Para a corporação, o esquema tem o próprio deputado como articulador central.

O que é a Operação Make Up

A Operação Make Up apura, desde setembro, o desvio de cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas ao filme "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e mirou também a produtora Karina da Gama.

A PF executou 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A operação, revelada em setembro, apontou Frias como alvo central do esquema de emendas.

O Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, ligadas à produtora, são investigadas.

O vínculo com a campanha de 2026 aparece porque a mesma Estratégia Comunicações já figurava em outra ponta da apuração. A produtora do Dark Horse pagou R$ 137 mil em faturas associadas a Mário Frias, mostrou outra reportagem sobre a investigação.

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Entre os doadores oficiais da campanha, além do PL, só dois nomes aparecem na Justiça Eleitoral. A assessora Rareska Metsker também trabalhou na produtora Dark Horse enquanto ocupava o cargo, e o assessor Diego Garcia Ramos alugou imóvel ao deputado.

A Folha, autora da reportagem que originou esta matéria, tentou contato com todos os citados. Mario Frias não respondeu à consulta, mas já havia negado anteriormente qualquer irregularidade no exercício do cargo. O deputado nunca foi condenado por nenhuma das acusações que pesam sobre ele.

A reeleição de Frias, confirmada em 4 de outubro com 91.403 votos, não encerra o escrutínio sobre como o dinheiro da campanha circulou dentro do próprio núcleo da investigação.

O caso ganha outra camada porque Frias articula retornar ao comando da Cultura em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Emendas do próprio Flávio já foram alvo de questionamento por bancarem uma ONG que a Receita Federal diz não existir.

O inquérito da Operação Make Up segue em andamento na Polícia Federal, sob supervisão do STF, sem data prevista de conclusão. Não há denúncia formal contra o deputado até a publicação desta matéria.