O petróleo Brent fechou em queda de 0,69% nesta terça-feira (20), a US$ 108,79 o barril, após rondar a máxima de cinco meses. A reviravolta veio com sinais de diálogo entre Estados Unidos e Irã. O WTI caiu 0,73%, a US$ 97,82.

Mais cedo no mesmo dia, o barril de referência chegou a rondar os US$ 111, maior preço em cinco meses, em meio a ataques de rebeldes houthis e relatos do Irã sobre navios atingidos no Estreito de Ormuz.

O mercado só inverteu a trajetória depois que o jornal israelense N12 noticiou sinais de avanço diplomático entre os países.

Os catalisadores apontados pelos mercados são a possível visita da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao Irã e o tratamento parcial de fundos iranianos congelados.

Nem todo analista compra o otimismo.

"Não vejo ninguém propondo um acordo de paz. Não vejo nenhum evento geopolítico bearish" para justificar a redução.

A avaliação é da casa de research Mizuho Securities. O ceticismo tem base no histórico recente: em setembro, o petróleo subiu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta do Irã.

Desta vez o sinal foi o inverso, de aproximação, e o barril ainda assim fechou em queda modesta.

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A escalada que antecedeu a reversão também não foi repentina. O Brent saiu de US$ 102,52 em 1º de outubro para US$ 105,45 em 15 de outubro, alta de 2,9% na quinzena.

O aperto já tinha chegado à bomba brasileira antes mesmo da queda desta terça. O diesel acumula alta de 20,1% em 2026, saindo de R$ 5,78 por litro em janeiro para uma média de R$ 6,94 na primeira quinzena de outubro.

O que a alta do petróleo pressiona no Brasil

O Ministério da Fazenda publicou em 13 de outubro a Portaria MF nº 3.082, que soma R$ 1,40 por litro ao subsídio do diesel importado, elevando o total para R$ 3,52. A regra vale por 30 dias, prorrogável por igual período.

O reforço existe para segurar no atacado o impacto da alta do Brent, antes que ele chegue ao posto. A gasolina está isenta de tributos federais até 9 de novembro.

A Petrobras pratica preço de referência de R$ 3,07 por litro na refinaria, com desconto estimado de 8% em relação ao valor cobrado do consumidor.

Em agosto, a mudança na mistura levou o combustível a ter 32% de etanol em todo o país, outro fator que pesa no preço final do litro.

O que acontece agora

A subvenção reforçada ao diesel importado vale até meados de novembro, com possibilidade de nova prorrogação. A isenção de tributos da gasolina segue até 9 de novembro.

Até lá, o litro dos dois combustíveis segue refém do mesmo fator que moveu o Brent nesta terça. O andamento das conversas entre Estados Unidos e Irã é o que deve decidir o próximo passo do preço.