O Brasil fechou um superávit comercial de US$ 62,4 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, alta de 34,8% sobre 2025. O resultado veio do salto nas vendas de petróleo à União Europeia, que buscou fornecedores fora de áreas de guerra.

Os números são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em setembro, o saldo chegou a US$ 7,74 bilhões, alta de 146,4% sobre o mesmo mês de 2025, a segunda melhor marca da série para o mês, atrás apenas de 2023.

As exportações somaram US$ 264,65 bilhões no acumulado do ano (+10,4%), ante US$ 222,26 bilhões em importações (+5%).

A corrente de comércio de setembro, soma das exportações com as importações, chegou a US$ 61,09 bilhões (a maior marca para o mês em toda a série histórica, segundo o MDIC).

O avanço não ficou só no petróleo. Minério de cobre, farelo de soja, combustíveis e soja também cresceram no comparativo anual, e juntos ajudam a explicar por que a corrente de comércio bateu recorde para meses de setembro.

O gráfico mostra como o petróleo bruto passou de coadjuvante a protagonista da pauta de exportação em poucos meses. A virada acompanha um movimento europeu que não tem relação com tarifas nem com o acordo recente entre o Mercosul e a União Europeia.

Na prática, o Brasil é favorecido por um conflito que não o envolve.

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Por que a União Europeia comprou mais petróleo do Brasil?

A União Europeia comprou mais petróleo do Brasil porque trocou parte dos fornecedores em meio às sanções contra a Rússia e aos riscos em zonas de conflito. O saldo do bloco com o Brasil virou de déficit para superávit de US$ 6,1 bilhões.

O petróleo bruto passou a representar 34,1% da pauta de vendas ao bloco, com alta de 139% em valor. O avanço não decorre do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde maio.

O movimento reflete a realocação de compradores europeus, segundo o Índice de Comércio Exterior (Icomex) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Os custos logísticos subiram por causa das tensões no Irã. Ainda assim, o salto nas vendas de petróleo e minério compensou a pressão, segundo o MDIC. A Organização Mundial do Comércio (OMC) já revisou para cima a previsão de comércio global.

O que acontece agora

O MDIC já revisou a projeção de superávit para o ano todo, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. A pasta também reduziu a expectativa de exportações, para US$ 382,5 bilhões, e a de importações, para US$ 298,1 bilhões.

O resultado dá sequência a uma trajetória que já vinha subindo desde o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, como a TV Sim Brasil mostrou em agosto. Agora, o fôlego extra vem de um conflito do outro lado do mundo.