O presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse nesta terça-feira (13) que não vê necessidade de subir os juros dos Estados Unidos em 2027, mas a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, defendeu nova alta este ano.

O impasse interessa ao Brasil. Juro americano mais alto reduz a vantagem de quem investe em reais. Em entrevista à Bloomberg News no Fed de Nova York, Williams disse:

Não mudei minha visão de que pode ser adequado realizar mais uma alta de juros. Neste momento, não vejo razão para acreditar que precisaremos fazer mais do que isso.

Segundo Williams, a inflação dos Estados Unidos deve desacelerar consideravelmente e se aproximar da meta de 2% no próximo ano, à medida que os efeitos das tarifas comerciais e do choque nos preços de energia diminuam.

Susan Collins pensa diferente. Em discurso em Boston, nesta terça, a presidente do Fed da cidade defendeu nova alta de juros ainda em 2026, por considerar os riscos inflacionários mais urgentes que os riscos ao mercado de trabalho.

"Diante de riscos elevados de uma inflação persistentemente alta, mas de riscos mais limitados de deterioração da economia real e do mercado de trabalho, acredito que seja apropriado que o Fed concentre sua atenção na dimensão da inflação do duplo mandato", disse Collins.

Collins não vota nas decisões do Fed neste ano.

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Williams está alinhado à mediana das projeções do Fed após a alta de setembro, segundo o InfoMoney. Nem todos concordam. As presidentes do Fed de Cleveland, Beth Hammack, e de Dallas, Lorie Logan, defendem mais um aumento até a inflação voltar à meta de 2%.

Investidores apostam que o Fed subirá os juros em dezembro e fará mais duas altas em 2027, segundo os contratos futuros dos Fed Funds. A taxa básica americana está hoje entre 3,75% e 4%, patamar decidido em setembro.

Como o impasse no Fed afeta o Brasil?

O aperto americano reduz o diferencial de juros com o Brasil. No dia em que o Fed subiu os juros em setembro, o Copom cortou a Selic no mesmo dia, e o Ibovespa fechou em queda de 0,59%.

Quando o Fed sobe os juros e o Banco Central do Brasil reduz a Selic ao mesmo tempo, diminui a vantagem de quem investe em reais, pressionando o real e a Bolsa.

A relação entre o diferencial de juros e a vantagem da Selic já apareceu em setembro, segundo a Forbes Brasil.

Desde então, o cenário mudou. Depois do 1º turno das eleições, o Ibovespa bateu recorde de 206 mil pontos e o dólar caiu a R$ 5, atenuando parte da pressão do aperto americano.

O que acontece agora

O Copom, comitê de juros do Banco Central do Brasil, se reúne em 3 e 4 de novembro. A Selic está em 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Fed decide em 27 e 28 de outubro.

Antes da decisão, o Boletim Focus e a inflação ao consumidor dos EUA entram no radar do mercado nesta semana, segundo o Valor.