O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criou nesta sexta-feira (9) um comitê para investigar Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), sob acusação de fraude em financiamentos imobiliários. É a segunda vez que ele usa o argumento para tentar afastá-la do banco central americano.
Segundo comunicado da Casa Branca, o comitê vai realizar uma audiência presencial em 5 de novembro "para analisar as provas e as acusações contra a diretora Cook", com duração máxima de quatro horas.
Para me auxiliar no cumprimento dessa responsabilidade, o Comitê investigará as acusações contra a diretora Cook e me informará se há justa causa para sua destituição
A frase está no memorando assinado por Trump. Cook, primeira mulher negra a ocupar o posto no Fed, nega qualquer irregularidade e diz que as acusações são pretexto para afastá-la por divergências sobre a condução da política monetária.
Por que a Suprema Corte já havia barrado a demissão?
A Suprema Corte barrou a demissão de Cook em junho, por 5 votos a 4, sem entrar no mérito de as acusações serem verdadeiras. A corte decidiu apenas que ela tem direito a se defender, com provas e processo claro.
Os advogados de Cook, Abbe Lowell e Norm Eisen, já contestam a nova audiência.
Eles dizem que Trump afirmou repetidamente já ter decidido destituí-la, "independentemente dos fatos e das provas", o que coloca em dúvida se o comitê é mais do que um rito para validar uma decisão já tomada.
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A disputa com Cook é parte de um padrão mais amplo. Trump também pressiona Kevin Warsh, atual presidente do Fed, por juros mais baixos, mesmo com um aliado no comando da instituição.
Por que a autonomia do Fed está em teste
Nenhum presidente dos EUA, desde a fundação do Fed em 1913, havia tentado destituir um diretor da instituição. A tentativa de Trump testa até onde vai a proteção que a lei americana dá à autonomia do banco central diante da vontade do Executivo.
O contraste com o Brasil é direto: o Senado aprovou em junho uma PEC que amplia a autonomia do Banco Central, justamente para blindar seus diretores, de mandato fixo, contra pressão política do Executivo.
As decisões do Fed já afetam o investidor brasileiro. Em setembro, o dólar fechou a R$ 5,14 e o Ibovespa caiu depois de decisões opostas do Fed e do Copom sobre juros.
A audiência de 5 de novembro é o teste prático dessa autonomia: vai mostrar se o novo comitê reúne as provas que a Suprema Corte exigiu, ou se repete o mesmo vício de processo que já bloqueou a demissão uma vez.





























