O Federal Reserve elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, a primeira alta desde 2023. Horas depois, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, a quinta redução seguida no Brasil.
A decisão do Fed foi unânime entre as 18 autoridades do banco central americano. Segundo Kevin Warsh, presidente da instituição, a economia dos Estados Unidos está em pleno emprego, mas a inflação segue sem melhora significativa.
O mapa de projeções dos dirigentes, o dot plot, mostra que 16 das 18 autoridades esperam mais uma alta de 0,25 ponto até o fim de 2026. O Fed projeta a inflação na meta de 2% somente em 2029, um ano além do previsto antes.
Warsh, de 56 anos, é o mais jovem diretor da história do Fed, cargo que ocupou entre 2006 e 2011, no auge da crise financeira global. Trump o escolheu em maio, após meses de embate com o antecessor, Jerome Powell, sobre os juros.
Esta quarta-feira marcou a primeira alta de juros do mandato de Warsh.
No Brasil, o corte desta quarta-feira é o quinto seguido do Copom. Em agosto, o comitê já havia reduzido a Selic para 14% ao ano, a quarta queda da sequência.
A coincidência entre as duas decisões já era esperada pelo mercado, que apostava no aperto americano e no alívio brasileiro no mesmo dia.
O dólar reagiu em queda: a moeda à vista abria a 0,15% menor, cotada a R$ 5,147, e o futuro para outubro recuava 0,19%, a R$ 5,161. O Ibovespa acelerou a queda para cerca de 0,7% durante as falas de Warsh.
Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,20%, e o S&P 500 subiu 0,28%, com o Nasdaq avançando 0,66%, puxado pela tecnologia. O setor de energia teve a maior perda, de 2,2%, com a Chevron caindo 2,3% e a Exxon Mobil, 3%.
"Como amplamente esperado, o Fed aumentou as taxas de juros pela primeira vez em mais de três anos", disse Ryan Detrick, estrategista-chefe de mercado da Carson Group. Segundo ele, a decisão unânime mostra que a instituição está levando a sério o cenário inflacionário atual.
O que muda no bolso do brasileiro
A Selic mais baixa barateia o crédito e reduz o rendimento da renda fixa atrelada ao CDI no Brasil, mas o aperto do Fed tende a manter o dólar pressionado, o que encarece produtos importados e viagens ao exterior para o consumidor brasileiro.
Os setores mais sensíveis ao crédito, como construção civil e o varejo, que já mostrava esgotamento do consumo em julho, tendem a sentir o alívio primeiro. Ações de empresas em crescimento também se beneficiam do custo de capital menor.
O que acontece agora
Analistas do Blocktrends esperam mais uma alta do Fed em dezembro, com novos cortes nos Estados Unidos projetados só a partir de 2028. No Brasil, o Copom mantém a estratégia gradual de redução da Selic.
O ciclo brasileiro de cortes já soma cinco reuniões, influenciado por indicadores americanos, como o payroll dos Estados Unidos, que mexeu com o dólar e a própria Selic em setembro.


























