Um incêndio florestal atinge a Terra Indígena Maxakali, no Vale do Mucuri, desde domingo (11). Nesta terça-feira (13), terceiro dia de combate, o fogo segue ativo e avança em diferentes direções, enquanto equipes tentam impedir que as chamas cheguem às aldeias.
A força-tarefa reúne militares do Corpo de Bombeiros, brigadistas do Ibama, integrantes do Projeto Hãmhi, da Defesa Civil estadual e voluntários indígenas do grupo Mãtanãg Kõnãghi. O posto de comando foi instalado na Aldeia Pradinho.
Até a última atualização das equipes, não havia informação sobre a área já atingida, nem sobre feridos ou danos às comunidades.
O fogo chega a um território que já estava sob alerta por outros motivos, muito antes de qualquer chama.
Por que a região já estava no radar do governo
Em junho, o governo de Minas lançou um Plano Estadual de Enfrentamento aos Incêndios Florestais, com investimento de R$ 440 milhões até 2031. A APA Alto do Mucuri, a mesma região do incêndio atual, estava entre as bases de apoio listadas no plano.
O plano previa monitoramento do clima e mapeamento de áreas de risco. Minas Gerais já somava 82 mil hectares queimados em 2026 até setembro, segundo a Polícia Civil do estado.
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O que mais pesa sobre o povo Maxakali
Em julho, o Ministério Público Federal já havia descrito a situação do povo Maxakali no Vale do Mucuri como uma crise humanitária, numa ação que pede a criação de um grupo de trabalho intersetorial para reestruturar saúde e saneamento nas aldeias.
A ação do MPF cita números que dimensionam a vulnerabilidade: a mortalidade de crianças Maxakali entre 1 e 4 anos é 30 vezes maior que a de crianças não indígenas na mesma região, e só 2,4% da população Maxakali chega aos 60 anos.
O MPF também aponta contaminação crônica da água nas aldeias e pede indenização entre R$ 4 milhões e R$ 10 milhões, para que os próprios Maxakali decidam como aplicar os recursos.
O episódio ocorre num momento de tensão maior sobre terras indígenas: nesta semana, a Funai teve um prédio atacado a explosivos em outro estado.
O que o plano contra incêndios ainda não respondeu
O plano estadual de R$ 440 milhões listava a região do Alto do Mucuri como prioridade desde junho, quatro meses antes deste incêndio. Resta saber se a estrutura de monitoramento e resposta já estava operando ali quando o fogo começou, no domingo.





























