O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (7) que dirigentes do Federal Reserve (Fed) gostariam de ver o país ir mal ao defender juros mais baixos, questionado sobre as taxas de financiamento imobiliário, no maior nível em três anos nos EUA.

Trump falou a jornalistas depois de ser questionado sobre o custo dos financiamentos de 30 anos nos EUA. Elogiou o presidente do Fed, Kevin Warsh, indicado por ele próprio. Mas lembrou que Warsh "só pode dar um voto" nas decisões do comitê de juros.

"Eles gostariam de ver o país ir mal, na minha opinião, porque acho que os juros deveriam cair."

A frase resume o tom que Trump vem usando com o banco central americano desde o início do atual mandato.

Ao lado dele no Salão Oval, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, atribuiu a inflação elevada a um "choque de energia" ligado ao conflito no Oriente Médio.

"Assim que estivermos do outro lado desse conflito com o Irã, o mercado de energia estará bem abastecido e caminharemos em direção à meta do Fed", disse Bessent.

Por que o Fed subiu os juros em setembro?

O Fed subiu os juros porque a maioria do comitê via mais risco de inflação do que de desemprego, segundo o comunicado oficial do banco central americano.

Publicidade

A alta foi de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, a primeira desde julho de 2023. Em nota, o Fomc informou que a atividade econômica dos EUA segue se expandindo em ritmo sólido, apesar da incerteza geopolítica.

Para a maioria dos dirigentes, ao menos mais uma alta de 0,25 ponto é esperada ainda em 2026. A pressão de Trump sobre o Fed não é nova.

Antes de Warsh assumir, o republicano já atacava publicamente o então presidente do banco central, Jerome Powell, chamando-o de "muito atrasado" na condução da política monetária.

Mesmo com seu indicado no comando desde maio, Trump já havia cobrado Warsh publicamente para que votasse contra a alta de setembro.

O que isso significa para o Brasil?

Juro americano mais alto tende a atrair capital para os Estados Unidos e pressionar o real, encarecendo o dólar no Brasil. Foi o que aconteceu com a alta de setembro, no mesmo dia em que o Banco Central brasileiro cortava a Selic.

Quanto mais o mercado espera o Fed manter juros altos, maior a pressão sobre o câmbio por aqui — o canal pelo qual a disputa de Trump com o Fed chega ao bolso de quem compra em dólar ou viaja ao exterior.

Trump também citou a Suíça como exemplo de juros baixos. Disse que os EUA economizariam US$ 40 bilhões se deixassem de comprar relógios suíços, ao defender que o país "deveria ter as taxas de juros mais baixas do mundo".

A ata da reunião de setembro do Fomc foi divulgada na tarde desta quarta (7), horas depois da fala de Trump. O documento deve orientar as apostas do mercado para a próxima decisão do Fed sobre os juros.