A ata da reunião de setembro do Federal Reserve (Fed), divulgada nesta quarta-feira (7), mostrou que a maioria dos dirigentes do banco central americano considera apropriado mais um aumento de juros até o fim do ano. Wall Street fechou em queda após a divulgação.

O Dow Jones recuou 0,66% e fechou aos 51.179,87 pontos. O S&P 500 e a Nasdaq caíram 0,22% cada, enquanto o Euro Stoxx 50 perdeu 1,40% e o DAX alemão, 1,35%.

Segundo a ata, os dirigentes do Fed viram riscos de alta para a inflação, que soma 3,4% em 12 meses até agosto e segue acima da meta há mais de cinco anos.

Todos os integrantes do comitê apoiaram a alta de 25 pontos-base aplicada em setembro, e a maioria já sinaliza outro aumento até dezembro. As próximas decisões saem em 28 de outubro e 9 de dezembro.

A decisão também ocorre em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a criticar os juros do Fed nesta quarta-feira.

Por que a alta dos juros também olha para a inteligência artificial

A alta dos juros também tem relação com a inteligência artificial, segundo a própria ata. O documento atribui parte da disparada recente dos juros dos títulos do Tesouro americano à forte emissão de dívida privada para financiar infraestrutura de IA.

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O temor agora é que o crédito mais caro freie justamente o financiamento bilionário por trás da expansão da inteligência artificial nos Estados Unidos. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano subiu a 5,291%, e o de 30 anos, a 5,670%.

O que muda para o Brasil

No Brasil, o dólar subiu 0,70% e fechou a R$ 5,011, revertendo parte da queda que o real teve após o primeiro turno das eleições. Os juros futuros, porém, fecharam sem direção única: o DI para janeiro de 2029 recuou de 12,46% para 12,435%.

No mesmo pregão, o Ibovespa recuou 0,74% e fechou aos 204.302 pontos, movimento descrito como ajuste após os fortes ganhos da véspera, e não como reação direta à decisão do Fed.

O que acontece agora

O Fed volta a se reunir em 28 de outubro, quando o mercado já descarta nova alta, e depois em 9 de dezembro, data mais provável para o próximo aumento. Até lá, a instituição acompanha os próximos indicadores de inflação e emprego nos Estados Unidos.

A diferença entre os juros dos dois países vem encolhendo desde que o Copom começou a cortar a Selic em setembro, o que tende a manter o dólar mais sensível a cada sinalização do Fed.