O Brasil elege neste domingo (4) os 513 deputados federais e dois terços do Senado, com recorde de cargos vagos no Judiciário: o STF tem 1 vaga há quase um ano, e o Banco Central está sem 2 diretores desde janeiro.
Analistas ouvidos pela Reuters atribuem o atraso ao crescimento da influência do Congresso sobre as indicações do Executivo, turbinado pelo controle cada vez maior sobre o orçamento federal.
As emendas parlamentares saltaram de 7,5% para 21% dos gastos discricionários do governo entre 2018 e 2025, segundo dados do Ministério do Planejamento. O Orçamento de 2026 reserva um novo recorde em emendas, de R$ 61 bilhões.
A vaga do STF é a mais longa vacância da Corte desde o retorno da democracia. Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o posto em abril, mas o Senado rejeitou o nome e o assento segue vazio.
No Banco Central, as diretorias vazias incluem a de Política Econômica, responsável pelas projeções que embasam as decisões sobre a taxa de juros.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem assentos livres no conselho desde o fim de 2024. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está sem presidente e com dois conselheiros em aberto.
O Congresso está usando cada vez mais as nomeações presidenciais como instrumento de pressão política.
A avaliação é de Rubens Beçak, professor de direito da Universidade de São Paulo (USP).
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mantém a prática de represar indicações como forma de concentrar poder na Casa, segundo fonte ouvida pela Reuters sob condição de anonimato.
Para o cientista político Claudio Couto, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o atraso nas nomeações é "tremendamente problemático".
Neuriberg Dias, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), diz que as negociações dependem cada vez mais de acordos fechados entre os líderes do Congresso. Isso torna a eleição de domingo um fator direto sobre o ritmo das próximas indicações do Planalto.
O que acontece agora
Lula defendeu a criação de um conselho, com participação da OAB, CNBB e sindicatos, para avaliar nomes ao STF antes de qualquer indicação, mudança que depende do aval do Congresso que sai das urnas neste domingo.
O presidente detalhou a proposta na semana passada, mas o rito ainda não tem data para começar a tramitar. Até lá, a vaga no STF segue aberta.






























