A Polícia Federal prendeu em Salvador, neste sábado (10), o ex-militar russo Sergei Kotelnikov, de 29 anos, condenado à prisão perpétua na Rússia por tráfico de drogas. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia diz que ele estava na cidade há menos de um mês.

Kotelnikov foi flagrado na Rússia com 600 kg de cocaína e documento falso, o que resultou na condenação à prisão perpétua em seu país de origem. Ele foi localizado no bairro de Águas Claras, em Salvador, durante a Operação Artemis.

A operação foi conjunta, reunindo a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Bahia (FICCO/BA), o BOPE da Polícia Militar e o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal no estado, em articulação com a Interpol.

"Intensificamos as ações de inteligência, após a Interpol nos avisar sobre a possibilidade dele tentar se esconder na Bahia. Escolheu o local errado e acabou preso", disse o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner.

Segundo a SSP-BA, o russo tentava comercializar armas e munições para facções brasileiras quando foi capturado. A polícia afirma que ele era alvo da Difusão Vermelha da Interpol, com o objetivo de estruturar uma rede de distribuição de armas, munições e drogas no país.

Depois da prisão, ele foi levado à sede da Polícia Federal em Salvador, onde começa o trâmite de comunicação com a Justiça da Rússia para o processo de extradição.

Por que a Bahia virou destino de foragidos internacionais

Kotelnikov não é o primeiro procurado pela Interpol a escolher a Bahia para se esconder. Em 2020, um chinês com mandado do STF por homicídio na China já havia sido capturado em Candeias, na Grande Salvador.

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Anos depois, o mesmo chinês, identificado como Hongjiang Miao, precisou ser localizado outra vez, agora em Morro de Chapéu, pelo mesmo homicídio cometido 16 anos antes.

O padrão mostra que foragidos internacionais já testaram o estado como rota de fuga mais de uma vez, e foram recapturados nele.

A escala do sistema que levou à prisão de Kotelnikov também ajuda a entender o caso: a Interpol mantém 6.429 pessoas sob notificação pública de Difusão Vermelha ao redor do mundo, incluindo 79 brasileiros procurados em outros países.

A cooperação internacional contra o crime organizado tem gerado capturas semelhantes em outros estados: em setembro, a Bolívia prendeu um chefe do PCC que havia sido resgatado a tiros de uma prisão brasileira em 2022.

O processo de extradição de estrangeiros condenados no exterior costuma ser longo: a Justiça brasileira também acompanha, em paralelo, pedidos como o de extradição da deputada Carla Zambelli, foragida na Itália.

A Polícia Federal já havia desmantelado uma rota marítima de tráfico de cocaína para a Europa, em julho, outro sinal do uso do território brasileiro por redes internacionais de drogas.

O ponto em aberto

Em menos de seis anos, a Bahia já recebeu ao menos dois foragidos diferentes visados pela Interpol, vindos de países distintos. Ambos escolheram bairros da capital ou do interior para se esconder.

A pergunta que o padrão levanta, e que nenhum órgão respondeu até aqui, é por que o estado virou rota repetida para quem foge da Justiça de outros países.

O que acontece agora

O russo segue preso enquanto tramita o pedido de extradição à Rússia. A SSP-BA não informou se ele responderá também na Justiça brasileira pela tentativa de venda de armas a facções, alegação que ainda depende de apuração formal.