O Brasil pode ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador agrícola do mundo em 2026, segundo reportagem do Financial Times. Em 2025, o país exportou US$ 169,2 bilhões em produtos agrícolas, US$ 1,8 bilhão atrás dos EUA. No ritmo atual, o Brasil pode chegar a US$ 180 bilhões neste ano.
A diferença entre os dois países vem encolhendo há duas décadas. Em 2005, os EUA geravam 137% mais receita agrícola que o Brasil. Hoje essa vantagem caiu para 1,2%.
No primeiro semestre de 2026, as exportações do agro brasileiro já somaram um recorde de US$ 87 bilhões, alta de 6% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O que está puxando o avanço brasileiro
A safra recorde de soja lidera a lista. Foram 108,2 milhões de toneladas exportadas em 2025. A carne bovina cresceu quase 40% em valor, e o café teve alta de 30% no faturamento.
O Brasil também é o 3º maior exportador mundial de carne suína e domina 23% da produção global de açúcar.
Para reduzir a dependência de poucos parceiros, o país abriu 664 novos mercados internacionais nos últimos anos.
A China no centro da disputa
A China comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do agro brasileiro em 2025, cerca de um terço de tudo que o setor exportou.
No mesmo período, as vendas agrícolas dos Estados Unidos para os chineses caíram 66%, para US$ 8,4 bilhões.
O que essa disputa muda para o Brasil
Depender de um comprador tão concentrado é um risco que o próprio setor reconhece.
Os mesmos 664 novos mercados que sustentam o crescimento recente são também a aposta para não repetir, com a China, o tamanho do tombo que os Estados Unidos sofreram.
O avanço brasileiro nasce, sobretudo, de colheitas recordes de soja e milho, os dois grãos que puxam a produção do país nos últimos anos. Enquanto isso, o comprador tradicional dos Estados Unidos migra parte do pedido para o fornecedor sul-americano.


























