O preço da soja no Brasil fechou em R$ 150,30 por saca de 60 kg em 18 de agosto, o maior patamar desde setembro de 2023. É a quarta alta mensal seguida, girando o grão para o lado favorável ao produtor depois de anos de preços deprimidos.

Na quinzena anterior, a saca já havia fechado a R$ 149,00, alta de 2,8%. O indicador é o da Cepea para o porto de Paranaguá, referência do mercado físico brasileiro.

O que está por trás da alta

A safra mundial de soja não está em falta. O USDA revisou em agosto a expectativa de produção e consumo global para 2026/27 e manteve a projeção praticamente estável.

O que empurra o preço para cima, em reais, é outra combinação: a desvalorização do real, que encarece o grão na moeda nacional, somada à entressafra brasileira, quando a oferta do produtor cai e a disputa por estoque aumenta.

Ou seja, é mais um movimento de câmbio e calendário agrícola do que de escassez do produto no mundo.

Quem ganha e quem paga a conta

Para o produtor rural, a recuperação chega depois de um período de preços deprimidos e é vista como alívio direto na renda.

Do outro lado da cadeia, a conta é diferente. Cerca de 70% do custo de produção do frango está ligado à ração, cuja base é o farelo de soja e o milho. Quando o grão sobe, a margem de granjas de frango e suíno aperta.

Os custos de produção da proteína animal já subiram cerca de 30% em 2026, puxados por insumos de ração e pela reposição de rebanho. Quando esse custo sobe na granja, o reajuste tende a chegar, mais cedo ou mais tarde, na gôndola.

Um ciclo que ainda não fechou

A soja em alta resolve um problema do produtor e cria outro na ponta da proteína animal. O ciclo dos preços agrícolas é assim: raramente favorece todo mundo ao mesmo tempo.

Falta saber se a entressafra vai continuar sustentando o preço nos próximos meses, ou se a chegada de nova oferta vai devolver o equilíbrio antes que o custo da ração pese de vez no preço da carne.