O ex-governador do Acre Gladson Camelí (PP) perdeu a disputa por uma das duas vagas do estado no Senado nas eleições de domingo (4). Ele vai ficar sem mandato eletivo pela primeira vez em 20 anos a partir de 2027.
Com 100% das urnas apuradas, Camelí ficou em terceiro lugar entre os candidatos ao Senado pelo Acre, com 16,59% dos votos (145.244). Ficou atrás de Márcio Bittar (PL), com 25,59% (223.972), e Mara Rocha (Republicanos), com 17,95% (157.104).
Os votos de Camelí, porém, são sub judice. Pela legislação eleitoral, candidato com registro indeferido e recurso pendente pode seguir na disputa e na urna, mas os votos só são validados se a decisão for revertida.
Por que a candidatura dele foi barrada?
O TRE-AC julgou procedente, em 11 de setembro, uma ação de impugnação da Procuradoria Regional Eleitoral e rejeitou por unanimidade o registro de Camelí ao Senado, com base na Lei da Ficha Limpa.
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A norma prevê inelegibilidade para quem foi condenado por órgão colegiado. O Superior Tribunal de Justiça havia condenado Camelí, em maio, a 25 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado.
Os crimes imputados foram organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude a licitação. Ele já não era mais governador, por ter renunciado em abril para poder disputar as eleições deste ano.
A defesa recorreu, o que permitiu a Camelí seguir na disputa enquanto o caso corria na Justiça Eleitoral. Em setembro, porém, o STJ negou um novo recurso, e o processo caminha para o trânsito em julgado.
O caso corre em paralelo a um debate maior no STF, que neste ano chegou a discutir mudanças na própria Lei da Ficha Limpa.
Ao ser condenado em maio, Camelí disse que recorreria ao Supremo Tribunal Federal e classificou o processo como "perseguição política".
Uma trajetória de 20 anos sem derrota
Sobrinho do ex-governador do Acre Orleir Cameli, morto em 2013, Gladson entrou na política em 2006, quando foi eleito deputado federal com 18.886 votos. Foi reeleito em 2010.
Ele se elegeu senador em 2014, aos 36 anos, o mais jovem da legislatura, com 58,37% dos votos. Em 2018 e 2022, venceu a disputa pelo governo do Acre, com 53,71% e 56,75% dos votos, respectivamente.
Até domingo, Camelí nunca havia perdido uma eleição: a derrota agora não veio do voto, mas da barreira jurídica que tirou sua candidatura da contagem oficial.
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Prova disso é que ele somou mais votos que o ex-governador Jorge Viana (PT), que ficou em quarto lugar na disputa pelo Senado, com 122.784 votos, segundo o De Olho no Acre.
O que acontece agora
O processo criminal de Camelí no STJ segue rumo ao trânsito em julgado, depois que a Corte negou seguimento ao recurso extraordinário que a defesa queria levar ao STF.
Enquanto isso, as duas vagas do Acre no Senado ficam com Bittar e Mara Rocha, caso a Justiça Eleitoral mantenha a invalidação dos votos de Camelí.





























