O governo começa em 2027 a cobrar o split payment, mecanismo que retém o IBS e a CBS no momento do pagamento, via Pix, cartão ou boleto. A meta é reduzir os R$ 508,5 bilhões que o Brasil perde por ano com sonegação.

Em 2026, o mecanismo roda em fase de teste, com alíquota simbólica de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS).

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já publicaram, em junho, o manual técnico que orienta bancos e processadoras de pagamento a reter o imposto.

O espaço para a venda sem nota fica menor, porque o crédito do comprador passa a depender do imposto já recolhido na etapa anterior da cadeia.

O índice médio de sonegação das empresas brasileiras foi de 9,9% da arrecadação em 2025, segundo o IBPT, a mesma entidade que calcula o rombo de R$ 508,5 bilhões por ano.

Por que empresas temem o split payment?

Tributaristas apontam um efeito oposto ao prometido no curto prazo. Um terço das empresas brasileiras ainda não avaliou o impacto da reforma tributária, segundo levantamento recente.

No início, veremos apenas aumento de complexidade e de custos.

afirma Sarina Manata, assessora jurídica da FecomercioSP, segundo o Brazil Journal. Para ela, a simplificação prometida pela reforma só chega de fato em 2033, quando os sistemas tributários antigos somem de vez.

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"Uma empresa com margem pequena de lucro terá que se adequar o quanto antes", diz João Eloi Olenike, presidente do IBPT, sobre o risco para pequenos negócios.

"Ninguém viu o sistema funcionando", resume o tributarista Luiz Gustavo Bichara: nenhum país aplicou um mecanismo assim em escala nacional. Na Itália, que testou algo parecido, o governo teve de abrir exceção para grandes empresas listadas por causa de crises de liquidez.

O que acontece agora

A fase de testes com alíquota de 1% segue até o fim de 2026. Em 2027, a cobrança do CBS passa a valer de fato; o IBS segue cronograma próprio, com transição completa só em 2033.

A Receita Federal já criou um site para desmentir boatos sobre a reforma, sinal de que a desinformação também é parte do desafio de implementação.

O ponto em aberto

O Brasil aposta num mecanismo que nenhum país aplicou nessa escala. O precedente mais próximo, a Itália, precisou abrir exceção para grandes empresas por causa de crises de liquidez.

Falta saber se o cronograma de oito anos até 2033 será suficiente para evitar o mesmo problema no Brasil.