A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, com 49 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, para apurar suposto desvio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares que o deputado Mário Frias (PL-SP) enviou à ONG de Karina Gama, produtora do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Batizada de Make Up, a operação apura peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A PF fala em desvio de emendas repassadas, via termo de fomento, a uma organização da sociedade civil.

A ação, com 49 mandados de busca e apreensão, foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF. A Controladoria-Geral da União (CGU) participou da apuração ao lado da Polícia Federal.

Karina Gama, de 47 anos, mora na Brasilândia, zona norte de São Paulo, e comanda o Instituto Conhecer Brasil. A relação dela com Frias começou em 2020, quando ele chefiava a Secretaria Especial da Cultura.

Em 2022, Karina prestou assessoria de imprensa na campanha do deputado e recebeu R$ 54 mil pelo serviço. Neste ano, ela também abriu empresa em Aracaju e virou sócia de outro negócio em Salvador.

O instituto dela soma ainda um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar Wi-Fi público, além de convênio de R$ 300 mil para formação profissional.

Produzido pela GoUp, "Dark Horse" narra a trajetória de Bolsonaro e só chega aos cinemas depois do 1º turno das eleições, em 4 de outubro. A mesma produtora está no centro de outra frente de apuração.

É a delação que liga o banqueiro Daniel Vorcaro ao financiamento do longa, homologada nesta quarta (9) pelo ministro André Mendonça, do STF.

Frias está fora do país desde 12 de maio, segundo a TV Globo. Nem ele, nem Karina, nem a produtora se pronunciaram sobre a operação até a publicação desta reportagem.

O mesmo filme, duas frentes de investigação

O Dark Horse virou alvo de duas apurações simultâneas: a Operação Make Up, com as emendas de Frias, e a delação que aponta repasses de até R$ 69 milhões do banqueiro Vorcaro ao fundo Havengate.

As duas apurações miram a mesma produtora, a GoUp, que recebeu dinheiro por duas vias públicas e privadas ao mesmo tempo.

A PF já havia recebido, em 24 de agosto, autorização de Dino para acessar dados de uma etapa anterior da apuração sobre a produtora. O orçamento pedido a Vorcaro chegava a US$ 24 milhões (R$ 134 milhões).

Frias já dividia o mandato com o cinema antes da operação. Em junho, gravou cenas do filme no mesmo dia em que participou de uma sessão na Câmara.

O que acontece agora

A Operação Make Up ainda pode gerar novos desdobramentos. Os documentos apreendidos nesta quinta serão analisados pela PF e pela CGU, e o inquérito pode embasar denúncia do Ministério Público caso o desvio de emendas seja confirmado.

O STF confirmou sessão plenária para 15 de setembro sobre a crise que envolve Vorcaro e o Banco Master, cujo rombo já soma R$ 12 bilhões desde a prisão do banqueiro, em novembro de 2025.