A Polícia Federal pediu a prorrogação de dois inquéritos que investigam suspeita de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O prazo inicial venceu em 2 de outubro.

A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmada pela TV Globo.

O que a PF investiga

Um dos inquéritos apura suposta intermediação de um contrato de cannabis medicinal no Ministério da Saúde, que também cita a lobista Roberta Luchsinger.

O outro mira a intermediação de negócios no governo para o empresário de tecnologia Cléber Ribas, cuja empresa tem contratos de R$ 53 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Social.

Os dados sobre Lulinha surgiram durante a Operação Sem Desconto, que apura desvios em benefícios do INSS. Entre os citados nos inquéritos também estão o empresário Fernando Bittar e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

A PF argumenta que o prazo inicial não foi suficiente e pede autorização para produzir relatórios sobre vínculos societários, movimentações bancárias e agendas de reuniões de Lulinha, da lobista Roberta e do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Os investigadores também querem dados de viagens nacionais e internacionais de Lulinha, incluindo quem pagou cada deslocamento.

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O que diz a defesa

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirma que "não há elementos de prova contra o cliente" e que a Polícia Federal não tem "coragem" para arquivar os inquéritos. A defesa também já entregou à Justiça os sigilos fiscal, bancário e telemático de Lulinha.

A defesa chama o novo pedido de prazo de "pesca probatória", numa tentativa, segundo o advogado, de encontrar provas onde não existiriam. O pedido de arquivamento dos inquéritos ainda não foi julgado.

O caso já teve repercussão na campanha do 2º turno: o próprio Lula disse que o filho "terá que prestar contas" se o lobby for confirmado, e deputados pediram proteção a um lobista que afirma ter provas contra Lulinha.

O que acontece agora

O ministro André Mendonça, relator dos dois inquéritos no STF, ainda não decidiu sobre o pedido de prorrogação. Desde setembro, casos do Master e do INSS seguem parados na Presidência, e a PGR diz que cabe ao presidente do STF, Luiz Fux, decidir sobre eles.

Mendonça já enviou ofício a Fux pedindo uma definição sobre a devolução desses processos ao seu gabinete. Até lá, os inquéritos sobre Lulinha seguem sem data para avançar.