A produtora do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, pagou quatro faturas do cartão de crédito do deputado federal Mário Frias (PL-SP). Os pagamentos somam R$ 136.868 entre agosto e novembro de 2025 e vieram à tona dois dias após a PF abrir operação contra o parlamentar.
Os valores identificados são de R$ 32.604,39 em agosto, R$ 34.164,08 em setembro, R$ 33.242,21 em outubro e R$ 36.857,35 em novembro. Em três dos quatro meses, a quitação foi feita pela produtora antes do vencimento da fatura.
A Polícia Federal deflagrou operação em 10 de setembro, com 49 mandados de busca e apreensão contra Frias e contra Karina Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do filme. A PF apura suspeita de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares.
Segundo a corporação, os crimes sob suspeita incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações. Frias é roteirista e produtor-executivo de "Dark Horse".
Se confirmado o desvio que a PF apura, o esquema teria usado dinheiro de emenda parlamentar para bancar despesas pessoais do próprio parlamentar investigado. Não há, até a publicação desta matéria, decisão do STF sobre denúncia formal.
Em manifestação nas redes sociais, Frias classificou a operação como "cortina de fumaça" e negou irregularidades. "Vou colaborar com a investigação", disse o deputado, sem detalhar os pagamentos feitos pela produtora.
A investigação corre em duas frentes no STF. Uma, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura o uso das emendas parlamentares. Na outra, sob relatoria de André Mendonça, o próprio ministro retirou o sigilo dos documentos que revelaram os pagamentos do cartão.
Frias já havia sido proibido por Dino de deixar o país, junto com outros 28 investigados na mesma operação, pelo risco de fuga. A autorização para a PF acessar os dados da produtora havia sido dada em 24 de agosto.
O que acontece agora
Frias segue proibido de deixar o país enquanto a investigação avança nas duas frentes abertas no STF. Não há data prevista para uma decisão sobre denúncia formal contra o deputado ou contra Karina Gama.



























