O número de "deputados de opinião" eleitos para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) saltou de 21 para 31 na eleição de 2026, alta de 48% em relação à legislatura atual. Eles já são quase um terço dos 94 parlamentares que assumem em 2027.

São parlamentares eleitos sem representação territorial específica, que conquistam votos defendendo causas, segmentos populacionais ou ideologias em vez de propostas regionais. A definição é do cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Prando descreve o fenômeno como o de "políticos de opinião extremada que conseguem ganhar envergadura via redes sociais". A tese ganhou força com o resultado das urnas em outubro.

Quem são os mais votados desse grupo

A mais votada para a Alesp foi Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, com 1,9 milhão de votos. Em seguida aparece Sofia Favero (PSOL), com 407 mil votos.

Publicidade

Também entram no grupo o veterano Eduardo Suplicy (PT), de 85 anos, e nomes como Leonardo Grandini (PT), Rafa Minato (Missão) e Capitão Mosart (PL), cada um com uma pauta ou público específico como marca de campanha, mais do que uma base geográfica.

As regiões que ficaram sem voz própria

Marília, Bauru, Araçatuba e seu entorno, além do Vale do Paraíba, ficaram sem parlamentar com reduto eleitoral definido na nova Alesp. São áreas que, até a legislatura anterior, tinham deputados ligados à base local.

O esvaziamento de representação regional não é exclusividade da Alesp: Bauru também ficou sem deputado federal na Câmara pelo segundo pleito seguido.

Publicidade

A renovação ajuda a explicar o fenômeno: a Alesp renovou 39 das 94 cadeiras para 2027, com o PL na liderança da bancada.

O mesmo padrão já havia aparecido em outros estados nas eleições de 2026, puxado sobretudo por nomes da direita, caso de Nikolas Ferreira (PL-MG), e também por parlamentares de esquerda com forte presença digital, como a deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

Para especialistas ouvidos pelo levantamento, a lógica das redes sociais veio para ficar, e quem não souber utilizá-las tende a perder espaço nas próximas eleições, o que deve pressionar ainda mais a representação territorial clássica.