Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao 2º turno das eleições de 2026 com propostas opostas para a economia. Lula defende mais investimento público; Flávio promete cortar R$ 250 bilhões do orçamento. A decisão sai em 25 de outubro.
Depois do 1º turno, o Ibovespa bateu 206 mil pontos e o dólar caiu a R$ 5. Na semana seguinte, o índice avançou 7,7% no total e superou 200 mil pontos pela primeira vez na história.
Os juros da dívida pública somaram R$ 1,2 trilhão em 2026, mais que os orçamentos somados de educação (R$ 230 bilhões) e saúde (R$ 270 bilhões).
"A questão fiscal é tudo", disse o economista Mauro Rochlin.
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Lula defende manter o arcabouço fiscal atual e avançar em tributação progressiva. A proposta usa o programa Nova Indústria Brasil, com bancos públicos e poder de compra do governo, para impulsionar a "neoindustrialização" do país.
No campo social, Lula quer expandir o Bolsa Família, com reajuste anual pelo INPC somado à variação do PIB, até o limite de 2,5%.
A proposta também prevê o fim da escala 6x1, com redução da jornada para 40 horas semanais sem corte de salário.
Flávio promete cortar R$ 250 bilhões do orçamento e revisar as regras fiscais. Defende acordos de trabalho flexíveis e redução de encargos para jovens e idosos, mas rejeita o fim da escala 6x1: diz que a mudança "não vai adiantar" e pode gerar desemprego.
Os dois mantêm o Bolsa Família em R$ 691, mas divergem na forma. Lula quer reajuste automático pela regra atual; Flávio promete controle de fraudes e regras de transição para o programa, tema que já gerou disputa no governo atual.
Na política externa, Lula quer fortalecer os laços com o BRICS e a China e resistir à pressão de Washington. Flávio defende alinhamento com o governo Trump e a garantia de acesso brasileiro a terras raras.
Os dois programas evitam detalhes de implementação, avalia o professor Lauro Chaves Neto, da Uece: "tática eleitoral deliberada para evitar desgaste".
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Para o economista Igor Lucena, o Brasil deveria adotar uma política externa pragmática, sem alinhamento automático a EUA ou China.
Pesquisa BTG/Nexus de 28 de setembro apontou a economia como principal motivação de voto, citada por 33% dos eleitores, à frente de acusações de corrupção (29%) e rejeição ao candidato (27%).
O que acontece agora
Os dois candidatos ainda vão detalhar as propostas até o 2º turno, em 25 de outubro. Antes disso, participam de sabatinas marcadas pela Globo para 15 e 16 de outubro.





























