Bauru, maior cidade do centro-oeste paulista, com quase 400 mil habitantes, não elegeu nenhum deputado estadual ou federal nas eleições de 2026, apesar dos mais de 277 mil eleitores aptos, segundo o g1. É o segundo pleito seguido sem representante na Câmara.

A última vez em que a cidade teve um representante direto no Congresso foi em 2018, quando o ex-prefeito Rodrigo Agostinho (PSB) se elegeu. Agostinho disputou de novo em 2026 e não conseguiu a vaga.

Os vizinhos de Bauru tiveram resultado oposto. Veja quem a região elegeu:

Representação eleita por cidade da região — conferido em 07/10/2026
CidadeEleitores aptosDeputado(s) eleito(s)
Bauru277 mil+Nenhum
Marília172.714Dani Alonso (estadual) e Capitão Augusto (federal), PL
Botucatu110.798Mário Pardini (estadual, PSD) e João Cury (federal, MDB)
Ourinhos76.480Ricardo Madalena (estadual, PL)

Mesmo com menos eleitores que Bauru, as três cidades conseguiram atingir o quociente partidário exigido pelo sistema proporcional. Foi isso que faltou à cidade nas duas últimas eleições seguidas.

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Por que Bauru fica sem vaga?

Bauru fica sem vaga porque seu eleitorado se pulveriza entre muitos partidos, sem que nenhuma legenda alcance sozinha o quociente eleitoral mínimo, a mesma regra de distribuição por média que elegeu 485 dos 513 deputados federais no país.

A cientista política Teresa Kerbauy, em entrevista à TV TEM, explica que o obstáculo começa no sistema de votação:

Muitas vezes, o partido ao qual o candidato está vinculado não consegue alcançar o quociente.

Sem parlamentar na Alesp ou na Câmara, Bauru perde um canal direto para buscar emendas parlamentares e articular investimentos com o Governo do Estado, os ministérios e a União, segundo a especialista.

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O problema se repete em outros estados. No Distrito Federal, o deputado estadual Fábio Félix teve 224 mil votos e não conseguiu eleger nenhum aliado.

Em Minas Gerais, o Centro-Oeste do estado quadruplicou a bancada na Câmara, mas perdeu espaço na Assembleia.

O que acontece agora

A próxima chance de Bauru eleger um representante direto no Congresso ou na Alesp será no pleito de 2030. Até lá, cabe aos parlamentares da região representar as demandas da cidade junto ao Estado e à União.