A Anvisa aprovou nesta terça-feira (22) o registro do Etcamah (camizestranto), remédio oral da AstraZeneca para tratar um grupo específico de câncer de mama avançado ou metastático. O medicamento age em tumores que já desenvolveram resistência à hormonioterapia tradicional, a base do tratamento até aqui.
O remédio é indicado para tumores com receptor de estrogênio positivo (ER+) e HER2 negativo (HER2-) que apresentam mutação no gene ESR1, identificada por biópsia líquida antes mesmo de sinais visíveis de progressão da doença.
Como o remédio age e o que os estudos mostraram
O Etcamah pertence à classe dos degradadores seletivos do receptor de estrogênio: além de bloquear o receptor hormonal na superfície da célula, faz a própria célula destruir essa estrutura.
No estudo Serena-6, com 315 pacientes, o remédio reduziu em 56% o risco de avanço da doença ou morte. O tempo de controle do câncer subiu de 9,2 para 16 meses.
A aprovação da Anvisa vem depois da autorização acelerada da FDA, nos Estados Unidos, concedida em 4 de setembro. Para oncologistas ouvidos pela imprensa, o remédio amplia o arsenal para tratamento personalizado conforme as características genéticas do tumor.
Quando chega ao SUS e quanto vai custar
O medicamento ainda passa pela avaliação da CMED, câmara que fixa o teto de preço de venda no Brasil. Essa etapa precisa ser concluída antes de o Etcamah chegar ao SUS e às farmácias populares.
Até a publicação desta matéria, não havia preço definido nem confirmação de cobertura pelo SUS ou pela ANS. O caminho segue o mesmo rito de outros remédios, como a compra centralizada de remédios contra o câncer que o SUS adotou neste mês.
O câncer de mama é o mais incidente entre mulheres no Brasil, sem contar tumores de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano no país no triênio 2026-2028.
O Etcamah chega logo depois de outro avanço no tratamento da doença: em setembro, o Trodelvy passou a tratar câncer de mama triplo-negativo mais cedo, e os planos de saúde ampliaram a cobertura de mamografia digital sem limite de idade.
O ponto em aberto
A aprovação resolve o registro sanitário, não a distância entre o remédio existir e chegar à paciente do SUS. Enquanto a CMED não fixa o preço, o Etcamah fica ao alcance só de quem paga do próprio bolso.





























