Deixar o notebook ligado na tomada o dia todo não desgasta mais a bateria do que os ciclos normais de carga e descarga, segundo engenheiros ouvidos pelo g1. O calor do aparelho sempre ligado, dizem eles, é o que pode afetar outros componentes.
Bruno Lima, coordenador do curso de engenharia da computação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que a durabilidade da bateria depende de dois fatores. Um deles é o tempo natural de vida dos componentes, que se degradam mesmo sem uso.
"Estando em operação ou não, as baterias têm um tempo de vida limitado", afirma Lima. Essa durabilidade pode variar de 2 a 3 anos, segundo o engenheiro, dependendo do fabricante e da qualidade dos componentes.
A tomada o dia todo prejudica a bateria?
Na maioria dos notebooks atuais, não. Ricardo Ciuccio, coordenador do curso de engenharia da computação do Centro Universitário Senac, explica que os modelos mais novos não sobrecarregam a bateria com o uso contínuo da tomada.
Isso acontece porque o sistema passa a consumir energia direto da rede elétrica quando a bateria já está cheia.
"Em modelos mais novos, o sistema consome a energia direto, sem passar pela bateria", diz Ciuccio. Em aparelhos antigos, a bateria continuava sendo consumida mesmo com o notebook na tomada.
Lima reforça que manter o carregador conectado o tempo todo tende a fazer a bateria reter a carga, sem efeito significativo além dos ciclos normais de recarga. Mas ele chama atenção para outro efeito.
"Quando você deixa ele ligado por dias, você está mantendo os componentes energizados, está passando corrente, ele está aquecendo. Isso pode degradar a vida útil dos componentes", explica Lima.
Ciuccio concorda que o calor é o fator que mais preocupa. Segundo ele, o aquecimento gerado pela bateria já carregada "vai tirando uma fração de tempo" da durabilidade dela, e pode afetar peças ao redor, como a placa-mãe.
"É aí que tem divergências entre fabricantes. Você vai encontrar manuais que são favoráveis a manter o notebook na tomada e outros que não são", completa o especialista do Senac.
Como prolongar a vida da bateria?
A saída prática, segundo fabricantes, é evitar os extremos de carga. A bateria de silício-carbono que a Samsung testa segue a mesma lógica: preservar a química interna importa tanto quanto a capacidade total.
A ASUS Brasil recomenda manter o nível entre 20% e 80% para reduzir o estresse químico das células de íon de lítio, que perdem capacidade a cada ciclo completo.
- Evite deixar a bateria zerar com frequência: cada ciclo completo até 0% desgasta mais as células de íon de lítio.
- Evite manter o notebook sempre em 100% em ambiente quente ou abafado, já que o calor acelera a perda de capacidade.
- Use, quando disponível, o software do fabricante (como o MyASUS) para travar o carregamento entre 20% e 80% automaticamente.
A mesma lógica vale para os smartphones mais caros vendidos no Brasil, que também usam células de íon de lítio e sofrem o mesmo desgaste por calor e ciclos de carga.
Não há consenso entre fabricantes sobre deixar o aparelho sempre na tomada. Mas os dois engenheiros concordam num ponto: o vilão não é a energia elétrica constante, e sim a ventilação.
Notebook usado em cama, sofá ou superfície que tampe as saídas de ar esquenta mais, e isso afeta a bateria e os demais componentes ao mesmo tempo. Quem for trocar de notebook pode considerar esse cuidado desde o primeiro dia de uso.





























