A Anvisa proibiu nesta quarta-feira (16) a importação, a venda, o transporte e o uso da caneta T36, versão paraguaia de tirzepatida vendida como alternativa ao Mounjaro. A medida, publicada no Diário Oficial da União pela Resolução-RE nº 3.626, atinge um produto sem registro sanitário no Brasil.

A T36 é fabricada pelo laboratório paraguaio Catedral, o mesmo responsável pela Tirzedral, outra caneta de tirzepatida já proibida pela Anvisa. O produto vinha circulando em grupos de venda no WhatsApp desde junho.

A ausência de uma medida específica contra a T36 nas resoluções anteriores "abria uma brecha para a compra individual", afirma o advogado André Schleich.

O primeiro grande risco é a pessoa aplicar algo sem saber exatamente o que está recebendo. Também não há garantia sobre a pureza nem sobre a estabilidade do medicamento, que pode ser comprometida por condições inadequadas de transporte e armazenamento

A citação é do endocrinologista Neuton Dornelas. Em fevereiro, a própria Anvisa já havia alertado sobre o uso inadequado de agonistas de GLP-1, citando risco de eventos graves como pancreatite aguda quando o medicamento é usado fora das indicações aprovadas.

Enquanto o mercado clandestino cresce, o caminho legal também mudou de preço. Genéricos derrubaram em até 35% o valor da caneta emagrecedora registrada no Brasil.

Não é a primeira apreensão do tipo. Em julho, a Anvisa mandou recolher um lote falsificado do próprio Mounjaro.