O ministro da Agricultura, André de Paula, garantiu nesta terça-feira (22) que não há risco de falta de fertilizantes ou diesel para os produtores rurais no país. A declaração vem em meio a alertas do setor sobre possível desabastecimento na safra 2026/2027.

Eu diria que o fantasma do desabastecimento está afastado.

Ele se referia aos fertilizantes, e citou o acordo assinado com o Marrocos, que garante 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados para a safra 2026/2027.

Segundo o ministro, o volume representa cerca de 80% do que o Brasil precisa importar da fórmula fosfatada usada na adubação das lavouras.

André de Paula também citou a produção nacional. Quando a quarta fábrica de fertilizantes da Petrobras ficar pronta, em 2027, o Brasil deve atingir cerca de 35% de autossuficiência. O esforço de crédito ao setor já rendeu mudanças nas linhas do Pronaf em julho.

Das quatro fábricas previstas, três já foram reativadas desde 2023.

O Sinprifert, sindicato do setor, estima que mais da metade da produção nacional de fertilizantes está paralisada atualmente. O governo atribui a segurança do abastecimento à combinação de importação e reativação das fábricas.

E o diesel, falta ou não?

Questionado sobre relatos de falta de diesel no Rio Grande do Sul, o ministro chamou a preocupação de especulação. Segundo ele, não há indicativo concreto de desabastecimento em nenhuma região do país. Ele atribuiu os relatos a questões pontuais locais.

"Isso ainda está no campo da especulação. Não há nenhum indicativo de que isso possa acontecer", disse André de Paula sobre o risco de falta de combustível.

O alerta partiu da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que protocolou ofício em 14 de setembro citando problemas de abastecimento ocorridos entre março e abril, durante a colheita.

É o mesmo período em que o governo já havia gasto R$ 47 bilhões para segurar o preço dos combustíveis.

Uma simulação da Farsul projeta que alta de 21,1% no diesel S10 geraria custo adicional de R$ 612,2 milhões aos produtores gaúchos. No cenário mais crítico, com o litro a R$ 9, a perda chegaria a R$ 1,47 bilhão.

As dificuldades relatadas atingiram cerca de 170 municípios gaúchos, segundo a federação.

O que acontece agora

O tema deve seguir pressionando o governo às vésperas da colheita de verão. A tensão com o setor já aparece em outra frente. Produtores reclamam que a renegociação de R$ 100 bilhões em dívidas rurais está travada.

O governo aposta na combinação de importação e reativação industrial para evitar qualquer desabastecimento antes da próxima safra. Nenhuma medida emergencial adicional foi anunciada até a publicação desta matéria.