O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou nesta sexta-feira (23) sete policiais militares pela morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, 48 anos, e pela tentativa de homicídio contra a esposa dele, durante uma operação em Pelotas (RS) em 15 de janeiro.
A denúncia pede que os sete sejam levados a júri popular, percam os cargos públicos e indenizem a família. Caberá à Justiça decidir se eles viram réus.
Segundo o Ministério Público, três dos denunciados identificaram o endereço-alvo da operação, e outros quatro atuaram diretamente na ação. Os policiais entraram na propriedade após indicar de forma equivocada o endereço correto.
Nörnberg foi atingido por 8 tiros de fuzil; a esposa também foi baleada, mas sobreviveu. Imagens de uma câmera de monitoramento, obtidas pela RBS TV, registraram ao menos 18 tiros no áudio.
As vítimas foram surpreendidas e atacadas durante a madrugada, no interior da residência, sem possibilidade de reação eficaz ou fuga.
A frase é do promotor Frederico Carlos Lang, responsável pelo caso. A denúncia enquadra os crimes como homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada.
O que diz a investigação
A operação buscava um grupo suspeito de roubos, a partir de informações obtidas com presos no Paraná. A apuração concluiu que houve uma falha grave na identificação da propriedade-alvo, que levou os agentes à casa da família Nörnberg.
Os policiais alegaram ter atirado depois que o agricultor disparou contra eles. A perícia, porém, concluiu que ele só reagiu depois dos primeiros tiros dos policiais, e que a legítima defesa não tem respaldo nas provas do inquérito.
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Segundo apuração da CNN, a família estava dormindo quando a casa foi cercada e pensou se tratar de um assalto; a vítima teria pegado a arma para se defender.
Em nota, a Brigada Militar informou que os policiais atiraram após serem recebidos a tiros, e disse fazer buscas no local por suspeita de que a propriedade servisse de depósito de armas e veículos roubados.
A suspeita partiu de informação repassada pela Polícia Militar do Paraná. Nenhum item desse tipo foi encontrado no local, além da arma usada por Nörnberg.
O comandante-geral da corporação, coronel Cláudio Feoli, classificou o caso como "um grande mal-entendido com desfecho trágico". A Brigada Militar afastou 18 militares envolvidos na ação e abriu um inquérito interno.
Ao todo, 25 agentes foram investigados, mas apenas 7 foram denunciados agora. Nörnberg era produtor de morango e milho doce e vendia a produção em feiras da região.
O caso se soma a uma série de episódios de letalidade policial neste ano: o Brasil teve recorde de mortes em ações policiais em 2025.
Em outro caso recente, um policial deu 45 tiros e matou um jovem confundido com um suspeito em São Paulo.
Também em São Paulo, uma policial virou ré pela morte de uma mulher, no mesmo ano de recorde na letalidade.
O que acontece agora
Os nomes dos sete policiais denunciados não foram divulgados. Agora, a Justiça do Rio Grande do Sul vai decidir se aceita a denúncia e torna os acusados réus.































