A Justiça da Argentina arquivou nesta sexta-feira (23) a investigação por fraude na criptomoeda $LIBRA contra o presidente Javier Milei e a irmã dele, Karina Milei. O juiz Marcelo Martínez de Giorgi aceitou pedido do Ministério Público, que não viu elementos para caracterizar estelionato.
O promotor Eduardo Taiano pediu o encerramento do processo. Segundo ele, a $LIBRA foi efetivamente emitida e as operações podiam ser rastreadas por blockchain.
O prejuízo financeiro, por si só, não basta para configurar fraude, segundo o promotor. O mercado de memecoins tem alta volatilidade e caráter especulativo, sem garantia de rentabilidade.
A decisão beneficia 11 investigados ao todo. Entre eles estão Karina Milei, secretária-geral da Presidência, o empresário americano Hayden Mark Davis, apontado como criador da $LIBRA, e os lobistas Mauricio Novelli e Manuel Terrones Godoy.
Em julho, o mesmo juiz já havia excluído os cinco denunciantes originais do processo.
O caso começou em 14 de fevereiro de 2025, quando Milei divulgou a $LIBRA em sua conta no X, dizendo que o ativo financiaria empresas e empreendimentos argentinos. O preço disparou de centavos a quase US$ 5 e despencou horas depois.
Compradores que, segundo a agência AP, tinham informação privilegiada sobre o lançamento retiraram cerca de US$ 100 milhões antes da queda. A conta de Milei no X tem 3,8 milhões de seguidores.
Publicidade
Cerca de 40 mil pessoas que aplicaram na criptomoeda teriam sofrido prejuízo, segundo a AP.
O elo com a eleição brasileira
Milei ressurge no debate presidencial brasileiro: a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou em setembro que as reformas argentinas desde 2023 inspiram o plano de revogar mais de mil normas e os impostos elevados na gestão de Fernando Haddad.
O modelo virou munição entre Lula e Flávio no 2º turno desta eleição. Milei já havia reforçado publicamente o apoio à candidatura de Flávio.
Quase três anos após o início do governo Milei, a inflação argentina desacelerou e as contas públicas tiveram superávit. Mas a pobreza argentina subiu a 32,3% da população no primeiro semestre de 2026.
O mesmo modelo que a campanha de Flávio aponta como inspiração é hoje citado por economistas como fator de alta da pobreza na Argentina.
Milei defendeu, em entrevista à Rádio Rivadavia, que os resultados do governo dele devem ser avaliados a longo prazo. Segundo o presidente argentino, fatores externos como a alta dos juros nos Estados Unidos pressionam a economia do país.































