A Justiça aceitou nesta segunda-feira (19) a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra uma policial militar acusada de matar com um tiro Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem de trânsito na Zona Leste da capital paulista.

A soldado Yasmin Cursino Ferreira se tornou ré por homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo organizadas em uma base de carregamento
Câmeras corporais usadas pela PM de São Paulo, em imagem de arquivo — Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O que diz a denúncia do Ministério Público?

Segundo a denúncia, o crime aconteceu na madrugada de 3 de abril. A vítima caminhava com o companheiro quando uma viatura da PM passou pelo local e atingiu o braço do homem, dando início a um desentendimento.

Na sequência, a policial disparou contra a mulher com uma arma calibre .40, atingindo a região do abdômen. Os promotores sustentam que a vítima estava desarmada e que não havia motivo para uso de força letal.

"É certo que o delito foi perpetrado por motivação fútil, consistente em discussão banal", afirmam os promotores na denúncia.

"De igual forma, o crime foi cometido por meio cruel, uma vez que a vítima agonizou por mais de 30 minutos até ser efetivamente resgatada, sem que a denunciada tenha adotado qualquer providência para mitigar seu ato", completam.

Os promotores também pediram a fixação de R$ 1 milhão em reparação aos familiares de Thawanna. A Corregedoria da PM concluiu que a soldado teve intenção de matar e não encontrou elementos de legítima defesa.

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Qual o tamanho da letalidade policial em SP?

O caso chega em um ano de alta na letalidade policial do estado. Segundo o Gaesp, um grupo do MP-SP, as mortes causadas por PMs em serviço somaram 103 no primeiro bimestre de 2026, 35,5% a mais que as 76 de 2025.

A série histórica do Gaesp mostra o tamanho do salto: 262 mortes em 2022, 357 em 2023, 653 em 2024 e 703 em 2025, recorde da série.

Outro caso recente envolveu um jovem morto com celular confundido com arma, após 45 tiros disparados por policiais, há nove dias. A Secretaria de Segurança Pública de SP diz ter expandido o sistema de câmeras corporais da PM, usado desde 2020.

O que os números ainda não explicam

Mas o padrão de alta na letalidade persiste mesmo com mais equipamentos em uso, o que levanta a pergunta sobre o que, de fato, reduz o número de mortes em abordagens policiais.

Em outro caso recente, um júri absolveu dois PMs pela morte de um jovem rendido em Paraisópolis, desfecho oposto ao que a denúncia contra a soldado Yasmin Cursino Ferreira busca agora.