Os desembolsos de crédito rural do Banco do Brasil caíram 44,1% no início da safra 2026/27, para R$ 31,6 bilhões entre julho e outubro, ante R$ 56,5 bilhões no mesmo período do ano passado. O banco atribui a queda à inadimplência no campo.

O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, atribuiu a queda ao aumento da inadimplência entre produtores. O banco cita ainda maior rigor na concessão de crédito, redução de investimentos pelos produtores e menor liquidez no setor.

À medida que tem um aumento da inadimplência na agricultura empresarial, o produtor inadimplente não acessa crédito.

Bittencourt fez a declaração ao comentar os números do banco. O aperto atinge o setor inteiro: segundo a Federação da Agricultura de São Paulo, a redução nacional de crédito rural foi de 37,8% entre julho e agosto.

A queda não é só do Banco do Brasil

Em São Paulo, a queda no crédito rural chegou a 46,7%. O crédito rural total do país já havia recuado 30,5% no início desta safra, segundo balanço de outubro.

Apesar da queda, o Banco do Brasil mantém a meta de R$ 210 bilhões para o Plano Safra 2026/27, crescimento de 0,5% sobre o ciclo anterior.

Para tentar destravar o crédito, o banco já começou a renegociar dívidas rurais, no valor de R$ 100 bilhões, usando uma medida provisória editada pelo governo.

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A inadimplência no setor vinha crescendo ao longo do ano: ela atingia 8,8% no início de 2026, segundo dados do setor.

O tema também entrou na campanha presidencial: Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram propostas diferentes para o crédito rural no Plano Safra.

O que acontece agora

A safra 2026/27 vai até 30 de junho de 2027, e o Banco do Brasil ainda tem a maior parte do período para tentar recuperar o ritmo de desembolsos e cumprir a meta anunciada.