A Festa do Peão de Barretos, que completa 71 anos entre 20 e 30 de agosto, deve movimentar R$ 600 milhões e receber 990 mil visitantes. Por trás do maior rodeio do país está uma associação sem fins lucrativos que reinveste boa parte do que arrecada na estrutura do ano seguinte.

De arraial de vaqueiros a palco de Niemeyer

O evento nasceu em 1955, quando um grupo de 20 jovens de Barretos organizou a disputa entre vaqueiros que levavam gado de estados vizinhos aos matadouros da cidade. A primeira edição, em 1956, aconteceu sob uma lona de circo.

A festa só ganhou sede própria em 1985, com a criação do Parque do Peão. Quatro anos depois, veio o Estádio de Rodeios, assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, palco que a organização segue ampliando a cada edição.

Para 2026, a Associação Os Independentes, entidade que administra o evento com cerca de 100 membros efetivos, investiu R$ 30 milhões em obras, incluindo um telão suspenso que passa a suportar 35 toneladas, quase quatro vezes mais que o anterior.

Onde entra e onde sai o dinheiro

Os R$ 150 milhões esperados só com ingressos são vendidos com antecedência em 2.700 cidades brasileiras. Em São Paulo, 98% dos municípios compraram entradas; em Minas Gerais, já são 629 cidades confirmadas.

A conta do visitante também pesa na economia local. Em 2025, quem foi à festa ficou em média 5 dias na cidade e gastou R$ 605 por dia, somando hospedagem, alimentação e compras.

Do lado de quem organiza, a Ambev patrocina o evento desde 1978, e a associação passou a cobrar dos cerca de 150 expositores da feira um percentual sobre as vendas, em vez da taxa fixa cobrada até pouco tempo atrás.

A festa também gera renda social. Em 2025, a arrecadação repassada ao Hospital de Amor, centro de tratamento oncológico de Barretos, somou R$ 8 milhões, e mais de 30 toneladas de alimentos foram doadas.

Até onde vai o investimento anual

O crescimento ano a ano tem um limite que a própria associação reconhece na prática.

O presidente Jerônimo Muzeti resume a meta como fazer o turista "tomar um choque em relação ao que viu no ano passado".

Sustentar esse ritmo de investimento sem inflar o preço do ingresso é o desafio que a festa carrega para além dos 71 anos completados agora.