O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, contatou o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, nesta sexta-feira (21), para marcar uma videoconferência sobre o tarifaço na semana que vem, que hoje soma até 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros.

O contato aconteceu horas depois de uma ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que durou mais de uma hora e teve tom cordial, segundo o Palácio do Planalto.

Na conversa, Lula classificou como infundadas as justificativas usadas pelos Estados Unidos para aplicar a tarifa contra o Brasil.

A lista inclui desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, uso do Pix, etanol e trabalho forçado. Para o presidente brasileiro, essas alegações "são infundadas".

Trump concordou em retomar as negociações entre as equipes técnicas dos dois países, que estavam paradas desde julho.

Hoje, os produtos brasileiros enfrentam duas camadas de tarifa nos Estados Unidos: uma de 25%, aplicada especificamente ao Brasil após investigação do USTR, e outra de 12,5%, que atinge vários países.

Máquinas, móveis, etanol, açúcar e calçados seguem sob a tarifa. Café, carne bovina e aeronaves estão isentos.

Não é a primeira vez que Greer entra na mesa

Em março deste ano, o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia participado de uma videoconferência sobre o tema com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, da qual Greer também tomou parte.

Àquela altura, as conversas não impediram o avanço das tarifas anunciadas nos meses seguintes.

O governo brasileiro avalia que qualquer resposta de reciprocidade tarifária não deve avançar ainda neste ano.

A posição oficial defende cautela, para não precipitar uma decisão antes de esgotar a via diplomática com Washington.

O que ainda não tem data marcada

Nem o Palácio do Planalto nem o USTR divulgaram o dia exato da videoconferência entre Greer e Elias Rosa, apenas que ela acontece "na próxima semana".

Também não há sinal, até agora, de que a reunião técnica vá resultar em redução das tarifas em vigor.

Isso só ficará mais claro depois do encontro entre as equipes dos dois países.