O presidente Lula visitou nesta quarta-feira (19) o Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), onde acompanhou o início da montagem do reator do submarino brasileiro de propulsão nuclear, batizado Álvaro Alberto. Ele foi recebido pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e pelo comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen.

"Em um mundo conflagrado por conflitos geopolíticos, a soberania nas áreas de defesa e tecnologia é essencial", disse Lula durante a visita.

O presidente também associou o investimento em propulsão nuclear à "geração de empregos, defesa da soberania e desenvolvimento científico-tecnológico".

O Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), um dos pilares do Programa Nuclear da Marinha, opera com um protótipo em escala real do reator e serve para testes e simulações da propulsão naval. O outro pilar é o domínio do ciclo do combustível nuclear.

O Álvaro Alberto será equipado com planta propulsora nuclear brasileira, segundo a TVT News, que acompanhou a visita.

Por que o prazo já mudou duas vezes

O cronograma do Álvaro Alberto é marcado por atrasos sucessivos. O projeto do Prosub, formulado em 2008, previa a entrega do submarino em 2025. O prazo passou para 2034 e, em comunicado de junho deste ano, a Marinha adiou de novo o lançamento para 2038.

Segundo a própria Marinha, o motivo foi a "indisponibilidade de recursos" e a "ausência de previsibilidade orçamentária" do programa.

Segundo o portal especializado em defesa Poder Naval, o orçamento anual do Prosub está estabilizado em cerca de R$ 2 bilhões. Em março, a Marinha pediu ao governo um aporte extra de cerca de R$ 1 bilhão para evitar uma nova paralisação do cronograma.

Sem o reforço, o risco de atraso volta a crescer.

Segundo levantamento do setor de defesa, o projeto do submarino nuclear soma 47 anos de história, desde a concepção original do programa, e cerca de R$ 40 bilhões investidos desde 2008 em todo o Prosub.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos já entregou dois submarinos convencionais da classe Riachuelo, o Humaitá e o Tonelero, hoje operacionais. O Riachuelo está em manutenção, e o Almirante Karam tem incorporação prevista para 2027.

Quanto falta para o R$ 1 bilhão sair do papel

A Marinha classifica o aporte extra de cerca de R$ 1 bilhão como o mínimo para não atrasar ainda mais o Álvaro Alberto. O pedido é de março deste ano, e o prazo do submarino já foi revisto duas vezes desde 2008.

Falta saber se o governo vai destinar o valor a tempo de sustentar o novo prazo de 2038, ou se o programa vai somar mais um adiamento à lista.