O presidente Lula defendeu nesta quarta-feira (16) que a regulação da inteligência artificial seja dura e feita de forma global. A declaração, em entrevista a podcast, ocorre no mesmo dia em que o CEO da OpenAI, Sam Altman, admitiu que "o mundo tem razão em ter medo" do avanço sem freios da IA.
Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, já havia pedido ação urgente dois dias antes, na segunda-feira (14). Segundo ele, o mundo está no início de uma mudança irreversível que atinge esta e as próximas gerações, e pediu que governos e empresas adotem mecanismos de supervisão multilateral diante do risco a direitos fundamentais.
Trump discorda. Ainda na segunda (14), o presidente dos Estados Unidos publicou no Truth Social que rejeita as preocupações.
Há uma conspiração doentia contra a IA e os centros de dados, e o único país que se beneficia disso é a China
Trump classificou como "conspiração doentia" os alertas feitos por executivos e pesquisadores de empresas como Anthropic, OpenAI e pelo bilionário Elon Musk, que defendem desacelerar o desenvolvimento da tecnologia.
Na quarta (16), o próprio CEO da OpenAI reconheceu que o temor é legítimo. Altman disse que a perda de controle humano sobre sistemas avançados e a concentração de poder em poucas empresas são riscos reais, e defendeu importar da aviação civil o modelo de segurança: registrar cada incidente, investigar a causa e aprender com ele antes que escale. Para o CEO, as empresas precisam estar prontas para desacelerar, ou mesmo parar, se for necessário.
Como fica o Brasil no debate global
Lula citou o apelo da ONU para defender a regulação global e prometeu formar profissionais brasileiros de inteligência artificial, para reduzir a dependência de modelos estrangeiros. O presidente não detalhou fórum, prazo ou países que participariam de um eventual acordo.
A fala se soma a outras iniciativas do governo: Lula sancionou nesta semana o Redata, que isenta data centers de impostos para atrair investimento em infraestrutura de IA no país.
Outros governos também buscam se posicionar no debate. A China propôs uma zona de IA aberta para o Brics, com foco no Sul Global, movimento que disputa espaço com o modelo americano de desenvolvimento acelerado.
O apelo por regras também vem de fora dos governos. Uma ganhadora do Nobel da Paz cobrou recentemente leis para conter o avanço da IA, argumento parecido com o de Türk na ONU.


























