O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (16), no podcast Desce a Letra, que o governo já gastou R$ 47 bilhões para impedir que a gasolina e o diesel subam de preço no Brasil. O valor cobre subsídios usados para segurar o repasse da alta internacional do petróleo ao consumidor.

"Já colocamos R$ 47 bilhões para pagar para que não aumentem a gasolina e o óleo diesel para o povo", disse Lula, atribuindo a alta do petróleo à guerra no Oriente Médio e à decisão dos Estados Unidos de, segundo ele, "invadir o Irã".

"Não tem necessidade as guerras", declarou o presidente. Ele também citou pressão do conflito sobre o preço do arroz, do pão e do fertilizante no país.

Na prática, o governo reduziu o PIS/Cofins em R$ 0,63 por litro de gasolina e R$ 0,19 por litro de etanol, além de renovar a subvenção de R$ 1 por litro de diesel. As medidas vieram depois de o Irã bloquear o Estreito de Ormuz.

É a segunda vez em quatro dias que o governo atualiza esse número. Em 12 de setembro, a TV Sim mostrou que a crise já custava R$ 37,5 bilhões aos cofres públicos, depois de um ataque a um oleoduto saudita.

A escalada segue a alta do petróleo Brent no mercado internacional. Ela é puxada também pelos ataques dos rebeldes houthis, do Iêmen, que fecharam o cerco ao estreito de Bab el-Mandeb, rota usada pelo transporte de petróleo.

Quem critica o subsídio aos combustíveis?

O colunista Leandro Mazzini, da Gazeta do Povo, chamou a manutenção do subsídio de "jogada eleitoreira", por chegar a três semanas da eleição presidencial, com Lula candidato à reeleição.

O Instituto Brasileiro de Petróleo estima que um congelamento total dos preços custaria até R$ 200 bilhões em um ano, mais de quatro vezes o valor já gasto pelo governo.

Segurar o preço na bomba tem custo: são recursos que, pelas palavras do próprio Lula, deixam de ir para outras áreas do orçamento.

O que acontece agora

O subsídio ao diesel e a redução de tributos sobre a gasolina e o etanol seguem em vigor enquanto durar a pressão do petróleo. O governo não anunciou data para reavaliar as medidas nem quanto ainda pretende gastar até o fim do ano.