O Departamento de Estado dos Estados Unidos avalia recolocar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na lista de sanções da Lei Magnitsky, segundo uma autoridade americana ouvida por veículos de imprensa nesta semana. Nesta quarta-feira (16), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro viaja a Washington para cobrar a retomada da medida.
A avaliação tem como pano de fundo a sessão extraordinária do STF de terça-feira (15), que discutiu se autoriza investigar Moraes por mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Outros ministros do STF também são observados pelos americanos, sem nome divulgado.
Não é a primeira vez. O Tesouro dos Estados Unidos incluiu Moraes na lista Magnitsky em julho de 2025, bloqueando bens e proibindo transações com americanos. A sanção foi retirada no fim daquele ano, durante uma aproximação diplomática entre Lula e Trump.
A hipótese de reversão voltou à discussão pública em agosto, quando o jornal Financial Times revelou que Washington reavaliava as sanções contra Moraes, meses antes da viagem desta semana.
A ofensiva de Eduardo Bolsonaro em Washington
Eduardo Bolsonaro viaja a Washington nesta quarta-feira ao lado do comentarista Paulo Figueiredo para se reunir com integrantes do governo Trump. Os dois pretendem apresentar acusações de violação de direitos humanos e perseguição política no Brasil, pressionando pela sanção contra Moraes.
Bolsonaro tem interesse direto no caso. O STF manteve, neste mês, a condenação dele a 4 anos e 2 meses de prisão.
O Itamaraty ainda não se manifestou sobre esta rodada de avaliação. Em episódios anteriores de sanção contra autoridades ligadas ao caso, o ministério reagiu classificando a medida como interferência indevida na soberania nacional, sem romper relações com Washington.
É a mesma preocupação que levou Lula a dizer, em comício no Piauí, que os Estados Unidos não devem interferir nas eleições de outubro.
O que acontece agora
A sessão do STF sobre o caso Vorcaro foi suspensa nesta semana por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem data marcada para ser retomada nem prazo declarado pelo tribunal para o novo julgamento.
Em Washington, as conversas de Bolsonaro e Figueiredo não têm prazo para resultar em decisão do Departamento de Estado. O histórico de 2025 mostra que, da sanção à retirada, o processo levou cerca de cinco meses.


























