O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (16/9), que o governo federal não vai socorrer o Banco de Brasília (BRB) com dinheiro público. Em comício em Ceilândia (DF), chamou a governadora Celina Leão (PP) de "cínica e mentirosa".

"A governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade para o governo federal", disse Lula na Praça do Trabalhador. "Quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro, do Banco Master", completou.

O ato do PT reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo a organização.

Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro. Mas não vamos dar dinheiro para o BRB.

Segundo o presidente, o BRB comprou títulos que não existiam, no valor de R$ 12 bilhões, na operação que envolveu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central sob suspeita de fraude bilionária.

O Supremo Tribunal Federal investiga, na esfera penal, as responsabilidades pela compra feita pelo banco público. A Polícia Federal já apontou fraude na aquisição de R$ 17,5 bilhões em ativos do Master pelo BRB.

O banco chegou a afastar cinco funcionários por suspeita de fraude ligada ao caso.

Sem apresentar provas, Lula também questionou o paradeiro do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que desistiu da candidatura ao Senado em julho por motivos que classificou como pessoais.

"Ele quebrou o banco e, quando foi denunciado, retirou a candidatura. E está escondido onde? Gastando o dinheiro que foi roubado", disse o presidente.

Ibaneis liderou a compra dos ativos do Master enquanto era governador. A senadora Leila Barros já atribuiu publicamente a desistência dele ao escândalo do BRB.

O que acontece agora

A eleição para o governo do Distrito Federal chega à reta final. Celina Leão foi ao STF em maio pedir autorização do Tesouro Nacional para um empréstimo bilionário que poderia salvar o BRB, pedido que segue sem decisão.

O banco público permanece sob risco de liquidação.

No mesmo ato, a primeira-dama Janja Lula da Silva discursou sobre proteção às mulheres. Ela citou a candidata ao Senado pelo DF Michelle Bolsonaro (PL), natural de Ceilândia e apontada à frente nas pesquisas para a vaga.

"Tem uma 'Bolsonara' daqui de Ceilândia que vocês conhecem bem. Digam não aos Bolsonaros e aos bolsonaristas", disse Janja, recado que mirava também as concorrentes petista e pedetista à mesma cadeira.

Lula ainda tentou se aproximar do bolso do eleitor. "Eu não estou contente com salário mínimo do jeito que está, tem que ter mais aumento", afirmou, sem detalhar propostas para um eventual novo mandato.

Repetiu a crítica de que a inflação de alimentos foi maior no governo anterior, mas evitou números do próprio mandato.

O evento marcou uma divisão interna da base aliada no DF. Lula priorizou o candidato do PT, Leandro Grass, e deixou o aliado do PSB, Ricardo Cappelli, em segundo plano, mesmo indicado por ele à intervenção federal no DF em 2023.

A disputa pelo governo do DF já teve oscilações relevantes nas pesquisas ao longo do ano.