Os Estados Unidos negaram, nesta quarta-feira (16/9), o visto ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, para participar da Assembleia-Geral da ONU em Nova York na semana que vem. É o segundo ano seguido em que a sanção o afasta do evento.

O Departamento de Estado americano informou que vai prorrogar as sanções que proíbem vistos a membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e autoridades da Autoridade Palestina.

Segundo o órgão, a decisão se deve à "incapacidade de realizar as reformas, contrariando os compromissos assumidos com os EUA", e a "atividades persistentes que comprometem as perspectivas de paz".

Washington acusa a Autoridade Palestina de buscar reconhecimento unilateral no lugar de negociações diretas, e de "continuar pagando benefícios a terroristas e glorificando atos de terrorismo" em declarações públicas e livros didáticos.

A base legal citada é a seção 604(a)(1) de uma lei americana de 2002. Em nota, o Departamento de Estado afirmou: "é do nosso interesse nacional impor consequências e responsabilizar a OLP e a AP pela glorificação do terrorismo".

O caso já havia se repetido em 2025. Naquele ano, a ONU aprovou, por resolução, que Abbas discursasse por videoconferência depois que os EUA revogaram os vistos de toda a delegação palestina.

A resolução teve apoio esmagador: 145 votos a favor, contra apenas 5 — dos quais o dos próprios Estados Unidos e o de Israel. Outros 6 países se abstiveram.

O desencontro também aparece nos números do reconhecimento diplomático. Ao fim de uma conferência sobre a solução de dois Estados, copresidida por França e Arábia Saudita em 2025, 142 países-membros da ONU apoiaram o reconhecimento do Estado da Palestina.

O Brasil está entre eles: reconhece o Estado palestino desde 2010. O Itamaraty chegou a saudar publicamente as adesões de França, Bélgica, Andorra, Luxemburgo, Malta e Mônaco à mesma posição, afirmando que o movimento poderia dar "impulso político decisivo" à solução de dois Estados.

O ponto em aberto

Os EUA seguem sozinhos, ao lado de Israel, numa posição que isola Washington da maioria dos países da ONU sobre o reconhecimento da Palestina.

A sanção de visto não impede Abbas de discursar, como mostrou o precedente de 2025: apenas o mantém fisicamente fora do prédio onde a maioria do mundo debate o tema.

O que acontece agora

A Assembleia-Geral da ONU começa na semana que vem em Nova York, com um evento de alto nível sobre a solução de dois Estados já programado por França e Arábia Saudita.

Os palestinos serão representados pelo embaixador junto à ONU e pela missão palestina, não por uma delegação de alto nível.