O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que o Judiciário brasileiro vive "o momento mais corrupto da história". A fala veio durante julgamento de um caso que envolve o colega Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Vorcaro é ex-dono do Banco Master. Na mesma sessão, que dividia a Corte, Dino mudou de assunto e falou sobre "malfeitos forenses" no sistema de Justiça.
"Eu nunca vi tanta corrupção no sistema de Justiça do Brasil", disse o ministro, que também citou ter "autoridade de quem exerce a judicatura desde 1994". Na mesma sessão, ele pediu vista do processo entre Moraes e Vorcaro, suspendendo a análise por prazo indeterminado.
Não existe venda de sentença sem um advogado comprando. Não existe corrupção passiva sem corrupção ativa.
Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, comentou o pedido de vista de Dino nesta quarta (16) e disse não ver nisso uma medida protelatória. Ele defende transparência total sobre as investigações do Banco Master antes da eleição de 4 de outubro.
A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) repudiou as declarações em nota. Segundo o presidente da entidade, Daniel Neves Pereira, eventuais suspeitas dizem respeito a fatos e pessoas determinados, não a toda a magistratura, composta majoritariamente por concursados.
O Conselho Federal da OAB, em nota assinada com as 27 seccionais, disse ter "total contrariedade" à fala e que a declaração lança suspeita genérica sobre a advocacia. A entidade defendeu que desvios sejam apurados e punidos individualmente, sem aceitar a "criminalização da advocacia".
A fala de Dino soma-se a uma semana de exposição pública de desavenças dentro do STF: no mesmo julgamento, a ministra Cármen Lúcia disse se sentir "envergonhada" com a crise do tribunal a menos de 20 dias da eleição.
Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um bate-boca em outra sessão da mesma semana.
O que acontece agora
Com o pedido de vista de Dino, o julgamento sobre as conversas entre Moraes e Vorcaro fica suspenso por prazo indeterminado. A Ajuris e a OAB não anunciaram medida formal além das notas de repúdio.


























