A Sabesp encerrou nesta quarta-feira (16/9) a incorporação completa das ações da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). A operação, aprovada em assembleia-geral extraordinária, estava travada desde julho por uma ação judicial de uma acionista minoritária que questionava os termos do negócio na Justiça.

Pela relação de troca aprovada, cada ação da Emae vira 1,3195 ação ordinária da Sabesp. Quem preferir sair da empresa tem direito de retirada por R$ 18,18 por ação, valor calculado com base no patrimônio líquido da Emae em 30 de junho.

O valor de saída é bem menor do que os R$ 61,83 por ação que a própria Sabesp havia oferecido numa oferta pública de aquisição em junho, recusada pelos acionistas minoritários.

Antes da operação, a Sabesp já detinha 79,2% da Emae. Os 20,8% restantes se dividiam entre 14,2% em circulação no mercado e 6,04% nas mãos de uma única acionista minoritária.

A história da Emae mudou de rumo em setembro do ano passado. O fundo FIP Phoenix, do investidor Nelson Tanure, havia arrematado o controle da empresa em leilão de privatização, em abril de 2024, por cerca de R$ 1 bilhão.

Tanure deu as ações da Emae como garantia de debêntures lideradas por Vórtx e XP. Quando o fundo não conseguiu pagar os juros no prazo nem oferecer garantia adicional, os credores declararam a dívida vencida e iniciaram a execução.

A Sabesp aproveitou a brecha e comprou 70,1% do capital da Emae por R$ 1,13 bilhão.

Tanure soube da venda pelo comunicado ao mercado e ficou de fora do negócio que ele mesmo havia arrematado, recorrendo à Justiça para contestar a execução da dívida.

Passado esse imbróglio, a incorporação das ações restantes esbarrou de novo em disputa judicial, agora movida pela acionista minoritária que questionava a operação.

O que acontece agora

O prazo para os acionistas pedirem retirada das ações vai até 19 de outubro. Frações de ações remanescentes serão agrupadas e leiloadas na B3, com o valor repassado aos acionistas.

Se avaliar que o volume de pedidos de reembolso compromete sua saúde financeira, a Emae pode convocar nova assembleia em até dez dias após o fim do prazo — e, nela, reconsiderar ou até cancelar toda a operação.