Os houthis completaram nesta sexta-feira (11) a tomada da ilha de Perim, no meio do estreito de Bab el-Mandeb, e passaram a controlar toda a costa oeste do Iêmen. Com o oleoduto saudita fechado no mesmo dia por ataque de drones, o petróleo Brent chegou a US$ 109,97 o barril, maior preço em quatro meses.

A ilha, também chamada de Mayyun, tem 13 km² e fica no meio do canal, dividindo a passagem em dois corredores de navegação. Segundo a Euronews, controlá-la permite monitorar o tráfego que sai do Mar Vermelho rumo ao Canal de Suez.

Um dia antes, os houthis já haviam tomado o porto de Mocha e cercado tropas do governo iemenita na vizinha ilha de Zuqar. Nas ilhas Hanish, mais de 2 mil soldados do governo seguem cercados.

Bab el-Mandeb tem 19 quilômetros de largura e escoa 6,2 milhões de barris de petróleo e derivados por dia. O canal ainda carrega cerca de 80% do gás natural liquefeito que abastece a Europa, segundo o site especializado OilPrice.com.

Segundo o site OilPrice.com, a Arábia Saudita já havia redirecionado mais de 70% de suas exportações de petróleo bruto pelo porto de Yanbu desde que o Irã fechou o Estreito de Ormuz. Essa rota também está ameaçada agora.

Em comunicado, o porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, atribuiu ao grupo o controle da passagem:

A navegação marítima é segura para todas as empresas, exceto os navios sauditas, que já foram banidos.

Para a analista Caroline Rose, do centro de estudos Soufan Center, o cerco ao estreito acrescenta semanas de viagem e eleva custos de seguro que empurram para cima os preços do frete e do petróleo.

Um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo passa por Ormuz e Bab el-Mandeb somados. Quase um terço do tráfego global de contêineres depende do Mar Vermelho, segundo a Euronews.

A Arábia Saudita informou que não vai retaliar por agora, atendendo a um pedido do Iraque, mas reserva o direito de "tomar todas as medidas necessárias" para proteger sua soberania e suas instalações. A nota é do chanceler saudita.

O Iraque demitiu um comandante militar depois que uma investigação confirmou que os drones usados contra o oleoduto saudita partiram do seu território.

Os Estados Unidos recusaram o pedido saudita de bombardear posições houthis, mas prometeram compartilhar inteligência. A União Europeia condenou os ataques, e o Irã classificou o avanço houthi de "vitória retumbante".

O que muda no bolso do brasileiro?

O que muda no bolso do brasileiro é a pressão sobre o combustível: o país importa mais de 25% do diesel que consome, e cada alta do Brent pesa mais nessa conta.

O governo gastou R$ 37,5 bilhões desde março para segurar o preço, segundo balanço da Agência Brasil.

O pacote derrubou a gasolina para R$ 3,05 por litro em 10 de setembro, mas foi desenhado para acabar 5 dias após o 1º turno das eleições. O corte soma R$ 7 bilhões por mês, segundo o governo.

O que acontece agora

O pacote de combustíveis vence em 9 de outubro, cinco dias depois do 1º turno, marcado para 4 de outubro. O 2º turno, se houver, é em 25 de outubro.

Quanto mais alto o Brent, maior a pressão para prorrogar um alívio pensado para durar só até a eleição.

Antes da escalada no Iêmen, a dúvida já era se o governo renovaria o pacote pela terceira vez. Agora ela chega com o petróleo mais caro em quatro meses.