A capital paulista teve o quarto setembro mais chuvoso desde o início da série histórica do Inmet, iniciada em 1943. Até a manhã de sábado (12), a estação do Mirante de Santana media 198,2 mm acumulados no mês, dos quais 75,4 mm caíram em só 24 horas entre sexta e sábado.
O volume põe 2026 atrás apenas de 1983 (243,1 mm), 1993 (206,7 mm) e 2015 (201,7 mm) na série do Inmet. É o maior total do mês desde então, à frente inclusive de 2009 (197,2 mm).
É também o segundo maior acumulado mensal do ano na capital, atrás só dos 256,4 mm registrados em janeiro. A posição no ranking histórico ainda pode mudar, porque o Inmet prevê chuva moderada a forte até esta segunda-feira (14).
O que explica o volume de chuva
Três sistemas se somaram neste mês. Uma frente fria em 5 e 6 de setembro trouxe 35,6 mm. Depois vieram a intensificação de uma baixa pressão sobre o Sul e o Paraguai, e correntes de ar quente vindas da Amazônia.
A combinação gerou nova frente fria em 11 de setembro, que produziu o pico de 75,4 mm no fim de semana.
A partir de terça (15), o volume de chuva deve diminuir, com o sol voltando a aparecer na quinta (17) e temperaturas previstas abaixo de 20°C.
O excesso de água já causou transtorno na capital. Chuva forte bloqueou trechos da Marginal Tietê e deixou duas pessoas desaparecidas na sexta-feira (11).
O lado positivo: as represas ganham água
O Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, recebeu 157,1 mm em 11 dias de setembro. É quase o dobro da média histórica do mês inteiro, de 78,8 mm, e a primeira alta assim em dois anos.
O reservatório ganhou cerca de 10 bilhões de litros só entre a quinta (10) e a sexta (11), o equivalente a cinco dias de água captada para a Grande São Paulo.
Desde o início do mês, o volume útil subiu de 33,1% para 34,75%. É um ganho de 15,75 bilhões de litros, embora o sistema siga na Faixa 3, de alerta, mesmo com a melhora recente.
A situação dos reservatórios é monitorada também por outros indicadores. Em agosto, o horário de redução de pressão na Grande SP havia caído de 10 para 8 horas por noite.
O governo estadual também atualizou, no mesmo período, o sistema de monitoramento hídrico com foco em eventos climáticos extremos.
O que a TV Sim observa
A mesma chuva que recompõe os reservatórios da Grande São Paulo também expôs os limites da infraestrutura urbana, com alagamento e desaparecidos na capital em um único fim de semana.
A folga que a chuva deu ao Cantareira ainda não tira o sistema da faixa de alerta. É sinal de que a recuperação hídrica depende de mais semanas de volume acima da média.


























