O relatório mensal do USDA, divulgado nesta sexta-feira (11), elevou a projeção da safra americana de soja para 4,535 bilhões de bushels (123,4 milhões de toneladas), acima do esperado. A notícia derrubou os preços em Chicago e pressionou as cotações no Brasil, com a saca recuando entre R$ 3 e R$ 5 no Mato Grosso.

Na Bolsa de Chicago, o movimento de realização de lucros contaminou toda a cadeia: o óleo de soja despencou mais de 3%, o farelo recuou quase 1%, o trigo cedeu mais de 2% e o milho caiu acima de 0,3%.

No Brasil, o levantamento de preços de referência mostrou queda generalizada. Em Passo Fundo (RS), a saca caiu de R$ 155 para R$ 153. Em praças do Mato Grosso, principal estado produtor, a perda variou conforme a região.

O novo número do USDA é o segundo aumento seguido na estimativa da safra americana: em agosto, a projeção já havia subido para 4,519 bilhões de bushels, e agora soma mais 16 milhões. Quanto maior a oferta esperada nos Estados Unidos, maior a concorrência para a soja brasileira nos mercados externos.

A pressão chega em meio a um ano já disputado para o produtor brasileiro: em setembro, o agro nacional faturou US$ 87 bilhões no semestre, mas as vendas aos Estados Unidos caíram 25%. Antes da queda de preço, a exportação de soja avançava e o farelo batia recorde.

A safra brasileira de soja 2026/27 já está em curso: o Mato Grosso liberou o plantio no início do mês, sob alerta de El Niño. O próximo relatório do USDA, em outubro, deve mostrar se a alta da produção americana se confirma até a colheita.