O Congresso converteu em lei apenas 47 das 229 medidas provisórias editadas pelo terceiro governo Lula, uma taxa de aprovação de 20,5%. É a menor da série histórica, que começa no primeiro mandato de Lula, em 2003. Outras 129 MPs, 56,3% do total, caducaram sem sequer serem votadas.
A queda é constante desde então. Lula 1 aprovou 90,1% das MPs que editou; Lula 2, 83,9%; Dilma 1, 79,4%; Dilma 2/Temer, 65,1%; e Bolsonaro, 57,4%.
Das 229 MPs do atual mandato, 88 (38,4%) eram de abertura de crédito extraordinário. Desse grupo, 51 caducaram, 20 foram convertidas em lei e 16 ainda estavam pendentes.
Duas prioridades do governo ficaram pelo caminho: a MP que criava alternativas ao aumento do IOF e o Redata, regime de tributação para datacenters, venceram sem votação no Senado ou na Câmara.
Por que o Congresso trava a pauta
Parte da explicação é estrutural. Em 2023, as comissões mistas que analisam as MPs não voltaram a funcionar normalmente após as adaptações da pandemia. O então presidente da Câmara, Arthur Lira, resistiu a retomar o rito padrão.
Também pesa o empoderamento do Legislativo, que ganhou força de negociação com o aumento das emendas parlamentares e o controle sobre a pauta prioritária do Congresso.
O desgaste não é só com MPs. No Senado, a aprovação das pautas do governo caiu de 75% em 2025 para 38,5% no primeiro semestre de 2026. Na Câmara, a retração foi de 20 pontos, de 58% para 38%.
A fidelidade dos partidos do Centrão que têm ministérios, como PSD, União Brasil e Podemos, caiu pela metade: de 80% em 2025 para 40% em 2026. PP, MDB e Republicanos, também com cargos no governo, caíram para o mesmo patamar.
A causa mais apontada é orçamentária. O governo usava a liberação de emendas parlamentares como moeda de troca por voto, mas a consolidação das emendas obrigatórias tirou essa alavanca do Executivo.
Neste ano eleitoral, o pagamento das emendas já estava garantido antecipadamente, o que deu a deputados e senadores independência financeira inédita.
Parlamentares admitem uma "recalibragem" na relação com o governo, não um rompimento. É o mesmo cálculo eleitoral que leva 87% dos deputados a tentar reeleição em 2026.
Com quem fica o poder até outubro
A pergunta que fica é até onde vai a barganha do Centrão neste ano eleitoral, agora que o Executivo perdeu sua principal moeda de troca. O histórico de 2026 mostra que a negociação caso a caso tem funcionado cada vez menos.


























